Emoção marca enterro da artesã Dica Frazão em Santarém

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O corpo da artista plástica Dica Frazão foi sepultado por volta das 18h deste sábado (30), no cemitério Nossa Senhora do Mártires em Santarém, no oeste do Pará. A emoção tomou conta do local. Amigos e familiares prestaram as

últimas homenagens à artesã que considerada um ícone da arte local.

O sepultamento da artista foi acompanhado por familiares, amigos e admiradores. A chegada do caixão ao cemitério foi muito aplaudida.

O caixão com o corpo de Dica Frazão deixou a Igreja da Matriz, onde ocorreu o velório e a missa de corpo presente celebrada pelo bispo da diocese de Santarém, Dom Flavio Giovenale, e seguiu em cortejo em direção ao cemitério.

A artesã estava internada em um hospital particular do município desde o dia 7 de maio. De acordo com o último boletim médico divulgado ela estava com problemas respiratórios. Após 13 dias, Dica Frazão apresentou complicações decorrentes de infecção no pulmão e também na bexiga. Às 12h35 do dia 19, morreu de falência múltipla dos órgãos.

Obra

Durante toda a vida, a artista usou matérias-primas especiais, como fibras, sementes e raízes amazônicas, sendo pioneira nesta técnica e reconhecida internacionalmente pelo trabalho. A técnica usada por ela ainda é mantida em segredo, respeitando o pedido de indígenas que forneciam o mateiral base para as costuras. Ela chamava este material de "entrecasca das árvores". Segundo ela, a espécie de madeira da qual os indígenas retiravam a matéria-prima nunca foi revelada. A primeira criação, um leque de penas de pássaros, foi feita em 1949, seis anos após a chegada de Dica Frazão em Santarém.

Dica Frazão morava na rua Floriano Peixoto, 281, na área central de Santarém. No mesmo endereço, por décadas funcionou o ateliê particular da modista. Desde 1999, o local é o museu da arte e vida deste ícone cultural.

Talento reconhecido

Com traços únicos e acabamento espetacular, Dica foi artesã, modista e estilista, vestindo grandes personalidades mundiais, como o a rainha Fabíola, da Bélgica, o Papa João Paulo II e o ex-presidente Juscelino Kubitschek. A obra cruzou fronteiras e conquistou o mundo.



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