JBS DEU MAIS DE R$ 600 MIL À CAMPANHA DE JATENE

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Pelo menos R$ 1,8 milhão foi doado pela empresa JBS aos políticos do PSDB do Pará, nas eleições de 2014. Desse total, mais de R$ 500 mil foram para a campanha de reeleição do governador Simão Jatene. A maior parte do dinheiro, porém, percorreu um longo caminho antes de chegar à campanha do governador e de outros tucanos locais. A verba foi doada pela JBS à Direção Nacional do PSDB, que a repassou ao Comitê Financeiro Único (CFU) do Pará. Só depois, foi parar nas contas da campanha de Jatene e de outros beneficiados. Os únicos tucanos paraenses que receberam dinheiro diretamente da JBS foram os candidatos a deputado estadual Francisco Victer e a deputado federal Mário Moreira. Cada um recebeu R$ 160 mil. Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

TRANSFERÊNCIAS

O dinheiro da JBS doado à Direção Nacional do PSDB só chegou ao CFU do Pará através de duas transferências eletrônicas, nos dias 17 e 21 de outubro de 2014: a primeira de R$ 1 milhão e a segunda de R$ 500 mil. Somando tudo, dá mais de R$ 1,8 milhão, em valores atualizados pelo IPCA-E de março. Estranhamente, porém, consta do TSE que esse dinheiro começou a irrigar a campanha de Jatene ainda em 20 de setembro, quando o governador recebeu uma transferência de R$ 315 mil. As demais transferências ocorreram nos dias 3, 6 e 20 de outubro, nos valores, respectivamente, de R$ 25 mil, R$ 114.697,92 e R$ 45 mil. Ao todo, R$ 499.697,92, ou mais de R$ 605 mil atualizados. As contas do CFU no TSE não esclarecem, no entanto, onde foi parar o restante dessa montanha de dinheiro.

Já os R$ 320 mil que foram doados diretamente da JBS para Francisco Victer e Mário Moreira chegaram às contas deles nos dias 11 e 25 de agosto daquele ano. Ambos acabaram como suplentes. Ao todo, a JBS doou R$ 10 milhões à Direção Nacional do PSDB e mais de R$ 40 milhões ao Comitê Financeiro Nacional do partido, que arrecadava recursos para a candidatura de Aécio Neves à Presidência da República. Outros R$ 3 milhões foram doados à Direção Estadual do PSDB de São Paulo. Já as campanhas dos tucanos Carlos Richa, do Paraná, e Antonio Anastasia, de Minas Gerais, receberam um aporte de R$ 3 milhões.


Jatene e Aécio Neves, ambos do PSDB, rec eberam dinheiro da JBS em suas campanhas. O senador mineiro foi afastado do Senado, por receber propina da empresa. (Foto: divulgação)
GOVERNADOR RECEBEU DE OUTRAS EMPRESAS ENVOLVIDAS NA LAVA JATO

A JBS não é a única empresa enrolada na operação Lava Jato que derramou dinheiro nas campanhas dos tucanos paraenses. Empresas do grupo Odebrecht doaram, ao PSDB do Pará, em 2014, pelo menos R$ 2,7 milhões. Desse total, quase R$ 690 mil foram para a campanha de Jatene. O expediente usado foi semelhante: o dinheiro foi doado à Direção Nacional do partido, que a repassou à Direção Estadual e ao CFU. Só daí é que ele chegou aos destinatários finais: além de Jatene, candidatos ao Senado, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa do PSDB e aliados.
As doações da Odebrecht foram realizadas através de quatro empresas já rastreadas pelo DIÁRIO: a construtora Norberto Odebrecht SA, a Odebrechet Óleo e Gás SA, a Braskem SA e a Hangar Empresarial Empreendimentos Imobiliários Ltda. Mas o maior problema para determinar a real quantidade de dinheiro repassada a Jatene e aliados por essas empresas é a falta de transparência das contas de campanha dos políticos do PSDB, com triangulações e a utilização de firmas que aparentemente nada têm a ver com esses grandes grupos empresariais.
É o caso, por exemplo, da Hangar, que a reportagem do DIÁRIO só conseguiu conectar à Odebrecht por meio dos registros da Receita Federal. Outra empresa investigada na Lava Jato e que também doou dinheiro aos tucanos paraenses, em 2014, foi o Banco BGT Pactual, cujo sócio, André Esteves, foi preso em 2015. A doação do BTG ao PSDB do Pará foi de R$ 1 milhão.

EM NÚMEROS

R$ 5,6 milhões - é quanto as empresas envolvidas na Lava Jato doaram ao PSDB paraense.

(Ana Célia Pinheiro/Diário do Pará)



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