PAVIMENTAÇÃO DA BR-163 COMEÇARÁ AINDA ESTE ANO

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As obras de pavimentação do trecho de 180 quilômetros da rodovia BR-163, no Estado do Pará, vão começar assim que o período de chuvas na região Norte terminar. A garantia foi dada pelo Ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Maurício Quintella e pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Foram destinados recursos de R$ 200 milhões para as obras e as empresas responsáveis pela execução já foram contratadas. A conclusão está prevista para o final de 2018. Além da pavimentação, a BR-163 terá ainda mais R$ 504 milhões para serviços de manutenção e reparos, por um período de até cinco anos, em toda a extensão da rodovia, do Pará até o Mato Grosso. 

Os recursos são provenientes do Orçamento Geral da União. Uma das preocupações do ministro Maurício Quintella é evitar os transtornos ocorridos no começo do ano, quando um atoleiro no trecho paraense da BR-163 deixou dezenas de caminhões sem condições de trafegar. “Não vamos permitir que aconteça na safra seguinte o que aconteceu nessa. Para isso, o Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil se preparou”, afirma Quintella.

A BR-163 é considerada a principal via de escoamento de grãos pelo Arco Norte e sua pavimentação irá representar uma economia anual de R$ 1,4 bilhão para o setor produtivo, segundo estudos da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O diretor-geral do DNIT, Valter Casimiro, destacou a importância do Arco Norte para o crescimento da economia e o desenvolvimento do setor produtivo no país. “Hoje a BR-163 é uma das rodovias mais importantes do País, uma vez que é a via que está escoando toda a produção de grãos do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e do Pará”, explica. 

CONJUNTO DE AÇÕES

O ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, destacou a importância das obras pela posição estratégica no escoamento da produção brasileira pelo Arco Norte e pelas amplas possibilidades de atração de investimentos para o Estado. “Sem dúvida alguma o Arco Norte é absolutamente estratégico para a competitividade nacional, e é fundamental que nós consigamos viabilizar os seus componentes, entre eles a BR-163”, reitera. “Juntamente com os portos e ferrovias como a Ferrogrão, criamos um conjunto de ações que permitem que o escoamento da produção nacional possa seguir o rumo do Norte do país, e particularmente o Pará”, assinala o ministro.

Segundo o diretor de Infraestrutura do DNIT, Luiz Antônio Garcia, os contratos de manutenção e restauração variam de 3 a 5 anos. Para a execução das obras de pavimentação já foram contratadas as empresas Sanches Tripoloni, empresa com sede em São Paulo, e o consórcio Agrimat/Cavalca/Lotufo, de Mato Grosso.

Helder: obras estatégicas para o Arco Norte. (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

ARCO NORTE MOVIMENTA TONELADAS DE GRÃOS

Especialista em Políticas e Indústria da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Matheus de Castro destaca que a conclusão da pavimentação da BR-163 irá significar uma “quebra de paradigma no comércio exterior brasileiro”. “Sem dúvida é uma obra esperada com muita expectativa pelo setor produtivo. Isto porque o escoamento da produção pelo Arco Norte é a forma mais racional de exportar grãos do Centro-Oeste”, explica Castro.

Segundo ele, o gargalo do setor produtivo brasileiro não está mais na competitividade da lavoura e da indústria, mas no frete interno, ou seja, o trajeto da rodovia até o porto. E a rodovia concluída vai tornar mais dinâmica a cadeia produtiva no Brasil. 

Castro conclui que a BR, ao ser totalmente pavimentada, será acompanhada da atração de investimentos para o Estado, em segmentos ligados às atividades do agronegócio e também em outros segmentos. 

De acordo com dados do Movimento Pró-Logística do Pará (MPL-PA), o Arco Norte deverá movimentar em torno de 50 milhões de toneladas de grãos até 2026. Segundo o diretor executivo do Movimento Pró-Logística Aprosoja Brasil Edeon Vaz Ferreira, a melhora nas condições de tráfego na BR-163 favorece os produtores. “Quanto melhor for a infraestrutura, menor será o custo do frete. Com isso, o agricultor vai aumentar sua rentabilidade e, consequentemente, a produção”, explicou.

O impacto do escoamento é tão importante que na safra 2014/2015, por exemplo, mais de 16 milhões de toneladas de soja foram exportadas pelo Arco Norte. 

ATOLEIROS NA VIA, CAUSADOS PELA CHUVA, PROVOCAM PREJUÍZOS AOS PRODUTORES

No começo do ano, fortes chuvas na região provocaram um congestionamento de mais 50 quilômetros na rodovia BR-163, entre as cidades de Trairão e Novo Progresso,no Sudeste do Pará, impedindo a passagem de caminhões e demais veículos. Cálculos da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) registraram que o atoleiro provocou prejuízos diários de US$ 400 mil aos produtores pelo atraso na entrega da carga nos portos paraenses.

Por mais de uma semana aproximadamente 4 mil pessoas ficaram ilhadas sem condições de se locomover ao longo da BR-163. Cestas básicas e água foram liberadas pelo ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho e distribuídas pela Defesa Civil. No início de março a rodovia foi liberada para o tráfego.

(Erica Ribeiro/Diário do Pará)



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