Cargill, da esperança de desenvolvimento a mero atravessador

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Os portos de escoamento de grãos saturados do Sul e Sudeste, obrigaram as tradings, entre elas a Cargill, maior companhia do agronegócio mundial de capital fechado, a perceberem o potencial do Norte do país e a investirem na construção de portos fluviais na região.

Santarém, situada numa posição estratégica e privilegiada, banhada por rios altamente navegáveis, foi um dos destinos.

Os rumores da construção de um porto operado pela Cargill, atraiu produtores rurais de todo o país e despertou a esperança dos já existentes em, finalmente, contarem com a maior companhia do mundo para escoar sua produção, com preço justo e equiparado aos produtores das demais regiões do país.

Essa esperança uniu os produtores num apoio incondicional à construção do porto, transformando-os em vilões aos olhos de entidades defensoras do meio-ambiente (governamentais e ONG) e desencadeando uma campanha covarde de difamação, tudo enfrentado com a coragem de quem trabalha duro para colocar alimento nas mesas dos brasileiros e a esperança de desenvolver uma região relegada a terceiro plano pelo governo federal.

Mas o que parecia ser uma benção, tornou-se, em pouco tempo, uma maldição.

Já instalada, graças aos esforços dos produtores e alguns santarenos de visão, a Cargill, de parceira, transformou-se em algoz. Sem concorrência, tabelou seus preços de acordo com a sua vontade.

Enquanto no porto de Paranaguá-PR, por exemplo, onde o prêmio é positivo, o preço da saca de soja, de 60 Kg, é de R$79,00, no porto de Santarém custa apenas R$69,50, onde o prêmio está em 70 negativo e crescendo, cada vez que aumenta o valor da comodite.

A explicação da Cargill para tal “fenômeno” é que, do porto de Santarém os navios não partem com sua capacidade de carga plena, o que obriga a empresa a reduzir o valor da saca de soja para cobrir custos operacionais.

Tal explicação seria totalmente plausível, não fossem dois detalhes: primeiro porque o frente do transporte é pago pelos próprios produtores e, e que nao interessa se o navio não esta ou nao em sua capacidade máxima, o preço do frete nao varia, segundo, é que há pouco tempo a Cargill investiu na ampliação do porto, passando da capacidade de escoar 2,5 para 5,5 milhões de toneladas de grãos.

Nessa relação desigual, trabalhando abaixo do limite, o produtor da região de Santarém tenta sobreviver sem crescer. Afogado em dívidas, vê o dinheiro que produz ser levado para longe e, o que é pior, é tratado como escravo pela empresa que ajudou e ajuda a crescer, cujo lucro líquido em 2016 foi de R$665,5 milhões. O que precisamos para resolver esse empasse? Que a Cargill honre pelo que se dispôs a fazer aqui e em segundo e não menos importante o que mantém a relação de comercio mais saudavel e equilibrada que é a livre concorrência, do contrario, ela será sempre uma atravessadora que explora os que trabalham visando seus próprios interesses, como aconteceu em todas as belas épocas dos ciclos de produção em nossa região!

POR UM LEITOR DO BLOGDOCARPÊ 


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