Feriados e ‘liberações’ em dias de jogos da Copa alteram a rotina do mercado no PA

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Especialista orienta sobre os impactos na rotina de trabalho, prejuízos nas vendas e sobre quando é vantajoso abrir ou não os estabelecimentos comerciais em um feriado ou dia de jogo.
ano de 2018 está cheio de feriados e o número de folgas pode ser ainda maior, por causa dos jogos da Copa do Mundo. Muitos trabalhadores serão liberados de suas funções nos dias de jogos para acompanhar as partidas. Uma grande parcela da população recebe muito bem essas pausas, mas comerciantes e empresários não ficam muito felizes.

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese-PA) confirma que as liberações nos dias de Copa vão trazer impactos à economia paraense. Entretanto, o supervisor técnico da instituição Roberto Sena explica que os prejuízos da Copa deste ano devem ser menores que os da Copa anterior, pois as partidas ocorrem em dia e horários de menor impacto ao mercado. “A abertura, por exemplo, aconteceu em uma quinta-feira (14) ao meio dia e não às 7h, como na anterior, que afetava diretamente o mercado. Além disso, o primeiro jogo do Brasil está marcado para um domingo (17) às 15h”, esclarece.

Sem considerar as pausas que caem aos sábados e domingos, e contando com as “pontes” que ocorrem às terças e quintas, são 16 dias sem trabalho no Brasil em 2018, além das celebrações municipais. Comerciantes e empresários não veem isso com bons olhos, pois os feriados amargam as vendas e impactam negativamente na indústria e no comércio. Para este ano, os brasileiros ainda terão pela frente sete feriados nacionais, contando com os pontos facultativos.

De janeiro a maio o número de datas desse tipo também somaram sete. Em maio houve dois feriados: Dia Mundial do Trabalho (1º) e a data facultativa de Corpus Christi (31). Já este mês devem ocorrer em média quatro folgas ou diminuição da jornada por causa dos jogos. O Tribunal de Justiça do Pará (TJE-PA), por exemplo, dispensará os servidores em pelo menos dois dias de jogos e em outros dois dias eles devem ser liberados mais cedo.

Segundo o professor Elemar Pimenta, consultor empresarial e especialista em Gestão de Negócios, Controladoria e Finanças Corporativas, estima-se que apenas no ano passado mais de 95 bilhões de reais deixaram de circular na economia em consequência dos feriados prolongados.

“Se tirarmos a área de turismo, a qual até se beneficia com os feriados, de forma geral há um impacto negativo na economia”, aponta Elemar. Ele também diz que é importante considerar o fato de que as empresas possuem custos e despesas, sejam fixas ou variáveis, para pagar.

“Se em um mês há 26 dias úteis de produção, mas este número reduz para 21 por conta de feriados, são 5 dias sem produção e, independente disso, os custos e a folha de pagamento virão do mesmo jeito”, explica. Segundo Elemar, os feriados prejudicam a empresa, e esta acaba por produzir menos, arrecada menos impostos para o governo e gera um desconforto para a economia em geral.

Alternativas para empresários

Claudion Carlos da Silva, supervisor de Trade Marketing de uma fabricante de celulares e produtos de tecnologia que tem loja em Belém explica que a empresa não sente tanto os impactos das pausas na rotina de trabalho porque existe um planejamento estratégico que minimiza as interferências negativas no rendimento e produção.

Ele conta que a empresa não libera os funcionários para os jogos da Copa, até porque a empresa desempenha um intenso trabalho nesta época do ano, com lançamentos e promoções de aparelhos e TVs, principalmente. Contudo, há um banco de horas e um planejamento de trabalho por escala. Dessa forma, os colaboradores ganham folga em dobro nos dias de menos impactos para a empresa.

O diretor comercial de uma construtora paraense Flávio Borges, por sua vez, explica que a empresa busca algumas soluções para minimizar os impactos das pausas na semana de trabalho. Existe um planejamento que permite fazer trocas de feriados para dias menos densos e, assim, se consegue minimizar economicamente o impacto. “Durante a copa também não liberamos os colaboradores, mas temos o costume de colocar televisões para os trabalhadores verem os jogos”, explica o diretor.

Abrir ou não abrir?

O professor Elemar explica que a decisão de abrir uma loja no feriado deve ser baseada, principalmente, em cálculos financeiros. Isso porque, para muitas lojas, manter as portas abertas em um dia de pausa pode representar prejuízo, uma vez que custa caro manter um comércio aberto.

Nesse caso, o conselho é que o empresário conheça os números de sua loja e faça um controle gerencial, o qual permitirá saber qual é o custo diário (aluguel, energia, água, impostos, folha e etc.), qual o mínimo de venda que ele precisa ter no dia para pagar esses custos por dia e, ainda, obter o lucro.

Ele também aconselha que as empresas façam um planejamento anual para estimar o custo operacional no decorrer do ano, considerando os dias produtivos e a expectativa de faturamento, o que pode ajudar a resolver essas questões.

Desde 2016, tramita no Congresso um projeto de lei (PLS 389) que propõe antecipar os feriados que caem no meio de semana para a segunda-feira, com o objetivo de não quebrar a rotina de trabalho.

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