Acidente com navio e rebocador no Pará: um ano da tragédia que matou 9 no rio Amazonas

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Acidente aconteceu no dia 2 de agosto, perto de Óbidos, oeste do estado. O G1 reconta a história do triste episódio que despedaçou famílias e que repercutiu nacionalmente.

O dia 2 de agosto de 2017 ficou marcado pelo acidente entre o navio cargueiro da Mercosul Line e rebocador de balsas da Empresa de Transportes Bertolini - uma tragédia que matou nove pessoas no rio Amazonas, perto do município de Óbidos, no oeste do Pará.

Um ano depois, o G1 reconta a história do triste episódio que despedaçou famílias e que repercutiu nacionalmente. O dia do acidente, a angustia das famílias, o trabalho de buscas, o resgate e identificação dos corpos e o velório coletivo.

1. O dia do acidente

O navio seguia para Manaus e o rebocador para Santarém. As embarcações estavam em sentidos opostos quando se chocaram por volta de 4h30 da madrugada. Com o impacto, o rebocador afundou, 11 pessoas desapareceram e duas conseguiram se salvar.

Na hora do acidente, o navio parou. Das nove balsas, duas ficaram presas na proa e as outras ficaram à deriva. O trabalho de buscas começou no mesmo dia e reuniu equipes do Corpo de Bombeiros e da Marinha do Brasil, com apoio da polícia.

2. O local da tragédia

A batida aconteceu perto de Óbidos, em uma faixa do rio Amazonas, onde a profundidade varia entre 60 e 70 metros, com correnteza de 9 km/h. Na hora do acidente, o rio estava tranquilo e também não chovia, segundo as autoridades.

3. Os primeiros dias de buscas

As buscas pelo rebocador e aos nove desaparecidos começaram no mesmo dia. A água escura e barrenta, a forte correnteza e a profundidade do rio Amazonas, foram os primeiros obstáculos encontrados pelas equipes de resgate, logo nos primeiros dias.

4. As vítimas da tragédia

No dia do acidente, foi divulgada uma lista pela Bertolini, contendo o nome dos nove tripulantes envolvidos no acidente e que estavam desaparecidos. A Capitania dos Portos também divulgou o nome das duas pessoas que conseguiram se salvar.

5. O relato de um sobrevivente

Euclinger Costa, um dos sobreviventes, foi resgatado por uma embarcação que passava na hora. Ele relatou o desespero vivido momentos antes do rebocador afundar. Euclinger disse ainda que se lançou ao rio ao perceber que a embarcação estava afundando.

6. Os protestos por falta de informação

A falta de informações, a demora no resgate das vítimas e na retirada do rebocador do fundo do rio Amazonas motivou protestos de parentes em Santarém. Por diversas vezes, eles culparam a Bertolini por negligenciar o resgate.

O caso também foi acompanhado por uma comissão da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que reuniu com parentes e com as empresas envolvidas para cobrar celeridade e agilidade no plano de resgate do barco rebocador.
7. O rebocador é localizado

O rebocador foi localizado por meio de um scanner, cinco dias após o acidente, a 15 quilômetros de distância do local da batida e a 63 metros de profundidade. Dois navios da Marinha foram usados para rastrear o fundo do rio Amazonas.

8. A operação de içamento

A operação de içamendo do rebocador, incluindo a data do acidente, a entrega do plano de salvatagem e a aprovação pelas autoridades marítimas, durou quatro meses. A embarcação foi retirada do rio na manhã do dia 5 de dezembro.

Os trabalhos foram feitos por uma empresa holandesa e durou 22 dias. Após ser localizado, o rebocador foi movido de local pelo guindaste flutuante e por fim, puxado para a superfície, numa força tarefa que começou no início da manhã.

9. A localização dos corpos

Os nove corpos foram encontrados no interior do rebocador, em compartimentos diferentes. O trabalho durou dois dias e foi executado por peritos do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves (CPC), órgão do Instituto Médico Legal (IML).
10. A identificação dos corpos

Os nove corpos retirados do rebocador foram levados de lancha para Santarém. No dia 7 de dezembro, foi feita a necropsia e a coleta de amostra biológica para exame de DNA. No dia seguinte, as amostras foram levadas para o laboratório Forense, em Belém.

Antes do resultado, os corpos ficaram em uma câmara fria para serem liberados no mesmo dia, a pedido de parentes. Os resultados dos exames comparativos de materiais genéticos foram divulgados pelo CPC no dia 22 de dezembro.

11. A liberação dos corpos e o velório coletivo

Os corpos foram liberados do CPC e levados para uma funerária, onde houve a preparação para o funeral. No dia 2 de janeiro deste ano, os corpos foram levados da funerária em um cortejo até o Clube Atlético Cearense, para o velório coletivo.

Durante o velório, muita comoção e tristeza. Após o culto ecumênico, os corpos de cinco vítimas foram levados para serem sepultados na cidade onde moravam. Os corpos de quatro vítimas foram sepultados em Santarém.

12. As investigações sobre o acidente

A Polícia Cívil de Óbidos e a Capitania dos Portos de Santarém e o 4º Distrito Naval de Belém abriram um inquérito para apurar as responsabilidades pelo acidente, que agora estão a cargo do Tribunal Marítimo.

Em setembro de 2017, o prático do navio chegou a ser indiciado. As autoridades marítimas colheram mais de 10 depoimentos. O inquérito apontou crime do risco de segurança da navegação, que está no artigo 261 do Código Penal.

Após a análise, chegou-se à conclusão que o navio seguia um rumo, mas em um determinado momento foi alterado por solicitação do prático. Segundo as investigações, não houve em momento algum o diálogo de manobra entre o rebocador e o navio.

13. O que disseram as empresas

A Bertolini se pronunciou no mesmo dia. Declarou assistência às famílias e suporte à operação de resgate, disponibilizando embarcações e acomodações a parentes em Óbidos e inclusive prestando auxílio com psicólogos para acompanhar os familiares.

A Mercosul Line também se pronunciou no mesmo dia. Declarou atuação em conjunto com as autoridades locais e iniciou buscas e salvamento aos membros da tripulação. A empresa também esteve prestando apoio à operação.

Fonte G1 Santarém


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