Ivan Sadeck: “Eleitor tem que banir político paraquedista”

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Professor diz que essas pessoas só aparecem de 4 em 4 anos atrás de votos

O professor e ex-Vereador Ivan Sadeck, em uma entrevista exclusiva para a TV Impacto e Jornal O Impacto, aborda diversos temas, entre os quais, o atual momento político que estamos vivendo, a situação da Rádio Rural e outros assuntos. Veja entrevista na íntegra:

Jornal O Impacto: Professor, estamos em plena campanha política, os trabalhos de divulgação já iniciaram, mas lamentavelmente existe aqueles candidatos que só aparecem de quatro em quatro anos, por coincidência talvez, mas aparecem prometendo mundos e fundos. Existem, também, aqueles candidatos que chamamos de paraquedistas, que também costumam aparecer nesse período. Na sua opinião, esse tipo de atitude demonstra falta de compromisso político?

Ivan Sadeck: Esse comportamento já vem sendo adotado há décadas. Você vê que as eleições hoje são de dois em dois anos. O mandato de cada um é de quatro anos, mas as eleições acontecem no intervalo de dois anos, com a escolha de Prefeito e vereadores e dois anos depois acontece a eleição para Governador, deputados, senadores e Presidente. Quer dizer, o Brasil de modo geral, a cada dois anos vive de eleições e em cada eleição percebemos que existe esta corrida desenfreada e volumosa de pessoas se candidatando a este ou aquele cargo. Será que nós compreendemos muito bem qual é o papel que exerce aquela ou aquele que o povo elege, que escolhe para ser Prefeito, Vereador e assim cada cargo? Compreendemos bem esse nosso papel ou fazemos dessa prática eleitoreira uma corrida para se dar bem, para tirar proveito próprio, porque a gente vê muitas vezes profissionais liberais com um bom desempenho na sociedade, por exemplo, delegados, médicos, engenheiros e tantos outros profissionais, quando você menos espera, o cara já está se candidatando para esse ou aquele cargo. Por que será? Será pela facilidade de ter o dinheiro, pela facilidade de usufruir do poder para ganhar, para levar vantagem? Pois o que se vê mais é isso. Então, você corre para lá para tirar o proveito e enriquecer, para ter uma vida melhor, para desfrutar das benesses que o poder dá. Eu penso que a política não é isso, e nem deveria ser, mas seria um serviço ao bem estar da população, coisa que em sua grande maioria não acontece. Nossas Câmaras Municipais, nossas Assembleias Legislativas, o próprio Congresso Nacional, que hoje é um Congresso podre e imoral, que se alto desrespeita por sua conduta. Isso mostra que são pessoas altamente vulneráveis, como mercadorias, como se transformasse essa prática num comércio, isso é perigoso. Por isso estamos mergulhados nessa crise toda que está estabelecida, porque o eleito ou eleita não se valoriza ou respeita, não faz valer pelo seu papel que exerce. Graças a Deus temos setores da sociedade com um pouquinho mais de clareza de consciência, de compromisso e responsabilidade, que tem procurado frear um pouco essa situação que é o Ministério Público em suas investigações, em suas denúncias; não quero dizer que sejam todos, mas na grande maioria tem tido esse comportamento, por exemplo, aqui em Santarém, com a Operação Perfuga. À medida que vem a eleição, o eleitor diz: “eu não quero nem saber”, mas ele não quer nem saber por quê? Porque ele não quer se comprometer e se responsabilizar e por isso ele dá o voto de qualquer jeito, escolhe muitas vezes candidatos que não reúnem as mínimas condições para representá-lo; muitas vezes escolhem pelos interesses pessoais, particulares ou familiares, porque prometem que vai ter isso, aquilo e outro, que é a prática que você tem visto nesses últimos anos, e isso vem de anos, isso é chamado de voto irresponsável, é um voto descompromissado, é um voto interesseiro; é aquela história: “se eu comprei teu voto, eu não tenho compromisso nenhum contigo”. Isso acontece para qualquer cargo, isso é perigoso para vida política da nação.

Jornal O Impacto: Qual sua avaliação com relação às eleições a nível estadual e nacional?

Ivan Sadeck: Agora mesmo comentávamos que nós temos mais de uma dezena de candidatos para a Presidência da República. Eu penso que se juntarmos todos em um debate, não tem espaço, não vai sobrar nem um minuto para que cada um possa se manifestar. Por que isso? Por que essa corrida louca para você disputar um cargo à Presidência da República? Gente sem a menor condição, candidatos que não dizem coisa com coisa; candidato que diz um ui aqui, e no dia seguinte está dizendo um ai ali; de uma incoerência, de uma inconsistência, um despreparo total. Além do mais, nunca vi na história das eleições no Pará, mais de 13 candidatos disputando duas vagas no Senado; sim, é a democracia, mas a democracia pressupõe responsabilidade, compromisso e seriedade, não essa maluquice toda que acompanhamos. Eu transfiro todas essas práticas alegando o nome pela democracia e não é bem assim, a democracia requer de quem grita e proclama uma atitude de respeito, compromisso e responsabilidade, algo que nem sempre nós temos. Nós confundimos a democracia com a libertinagem e o anarquismo, e na maioria das vezes elegemos e posteriormente nos decepcionamos, pois sabemos que aquela pessoa que foi eleita não está preparada para aquela função. Eu não quero dizer que se precisaria estabelecer regras rígidas para esse ou para aquela ser candidato(a), mas que se estabelecesse critério e condições para quem quisesse assumir uma função pública, tivesse o mínimo de critério. Você não vai ser médico pelo simples fato de ter um curso de medicina, você não faz o papel de advogado por ter concluído a faculdade de direito. Você se submete a provas e a certas exigências. Na política não, entra qualquer um, entra Maria do não sei o quê; e aí, quais os princípios e critérios que essa pessoa reúne para ser dignamente um representante do povo? Por conta disso, se vê esse festival, que desculpem a expressão, me dá nojo, fede; é horrível para própria sociedade brasileira. A imagem do Brasil nesse campo é a pior possível e parece que nós não queremos levar a sério essas questões, e acabamos esquecendo que toda nossa vida passa pela questão política, quer na igreja, na escola ou no trabalho, em todos os lugares da vida social faz-se política. O problema é que nós desvirtuamos o sentido da verdadeira política. O bom sentido da política é a prática do bem comum, quando você estabelece que o preço de tal coisa é “X” e quais as implicações que esse preço vai ter na vida da sociedade. Que dizer, gostando ou não, as decisões são tomadas no que nos afetam. Eu penso que falta à nossa gente é uma certa tomada de consciência, é despertar para o sentido, para o valor, para o respeito, que é a política e, sobretudo, o voto, que tem consequências.

Jornal O Impacto: Um assunto que tem mexido com a opinião pública nacional, através da sua experiência, o ex-presidente Lula, mesmo preso está na frente das pesquisas, na sua opinião, ao que se deve essa liderança expressiva dele?

Ivan Sadeck: A liderança do Lula é uma liderança carismática. Eu não conheço na história nacional e nem mundial, que um preso político como o caso do lula, porque ele é um preso político. Nós precisamos descer esse submundo da questão jurídica, ele está preso politicamente, é uma decisão política. Basta vê que grandes juristas internacionais, até mesmo a própria ONU, já se manifestaram; jornais de grande respeitabilidade internacional já declararam e já disseram sobre a pessoa do ex-presidente Lula. Ele pode ter cometido uns delitos? Pode, não digo que tenha cometido alguns delitos, mas até agora pelo que se tem lido, pelo que se tem visto, à luz da jurisprudência, ele está sendo julgado porque é acusado como dono do tríplex. Esse julgamento está sendo feito contra ele, mas não tem documentação legal nenhuma que comprove que ele é o dono. Eu dizer que eu dei para você esse carro, que eu dei para você essa mansão, mas eu não tenho comprovantes ou documentos que comprovem isso, perante à Justiça o que vale é o que está escrito, o que tem no papel, documento. Então, o que acontece é uma decisão para barrar a possível candidatura dele e consequentemente a sua eleição, porque mesmo preso ele bate todos os demais adversários. A última pesquisa mostrava ele com 35% e o segundo com 18%, quase o dobro. O povo me parece ser aquele que julga do ponto de vista do voto, o que o aprova e dá isso aí, que causa pavor para os demais candidatos, sobretudo, para o grupo que tomou de assalto o poder, porque foi um golpe que foi dado na Dilma, eu digo que o caso da Dilma tem duas questões, primeiro porque ela é mulher, eu duvido se eles teriam coragem de fazer com um homem; segundo, porque quem perdeu a eleição não se conformou com a derrota e provocou esse aumento todo que inclusive está solto, que não tem processo e julgamento nenhum contra ele, vai ser candidato lá por Minas Gerais. Então, quando você toma uma decisão judicial de condenar e prendê-lo, e de repente vem o período eleitoral, ele aparece com um percentual de votação tão elevada, pense o que isso significa para os seus adversários e, sobretudo, na concepção do povo que o quer de volta como Presidente. Se ele não tivesse sido um Presidente com a maior aceitação da história política do Brasil, eu pergunto: “Será que o povo daria toda essa votação que ele está tendo?”. Eu evidencio que há uma questão de ordem, eu diria até de interesse internacional movido por uma questão do mercado, do interesse econômico dos grandes grupos poderosos de que o atual Presidente da República é moleque de recado, que está aí fazendo jogo para se manter nesse poder, porque ele foi um pára-quedista, é um golpista, conseguiu criar em volta de si uma quadrilha nunca vista, para garantir que a Justiça não fosse feita contra ele diante das inúmeras denúncias que tem. Aí eu te pergunto: “A justiça está usando dois pesos e duas medidas? Por que sabe escolher esse e outros para condenar e esse e esses aqui, os protege e os defende?” Aí me vem outra pergunta: “Qual é primeiro artigo da Constituição Federal que neste ano, dia 5 de outubro, estará comemorando 30 anos?”. O primeiro artigo diz que todos são iguais perante a lei. A própria Constituição Brasileira traz um artigo importantíssimo, mas é mentiroso e enganoso, porque se você olhar nem todos são iguais perante a lei; se você tiver dinheiro, e aquele que não tem, que se dane. Então, onde está a igualdade, o respeito ao cidadão para que você faça Justiça? Os fatos estão aí para comprovar.

Jornal O Impacto: O senhor acha que a Justiça hoje, ao invés de ser judicializada, no momento está sendo politizada?

Ivan Sadeck: Sim, mais do que isso, tendenciosa e partidarizada. Claro que não é toda a Justiça, são setores, é bom que se diga isso, eu me baseio em uma frase dita pela presidente do Conselho Nacional de Justiça desse País: “há muitos bandidos e bandidas de togas”. E a gente observando os fatos, não estou dizendo aqui que todo Poder Judiciário tem esse comportamento, mas dentro do Judiciário há muitos comportamentos que comprometem a boa imagem da Justiça.

Jornal O Impacto: Mudando de assunto. A última entrevista que o senhor nos concedeu sobre a Rádio Rural gerou muitos comentários. Na sua opinião, até o momento a situação melhorou ou piorou?

Ivan Sadeck: Na verdade, eu não tenho acompanhado. Depois que eu fiz aquelas declarações, eu procurei me abster, por conta de tantos problemas, desgastes, problemas de saúde. Mas eu não posso dizer com segurança e certeza se melhorou, piorou ou está na mesma, eu apenas tenho ouvido comentários que não posso confirmar se são verdadeiros, que praticamente continua a mesma coisa, pouco ou nada melhorou. A dívida continua. Não sei se diminuíram ou se fez mais aumentar. Ouço de vez em quando algumas pessoas comentando que tem promoção aqui e ali, mas eu me desliguei completamente, até porque pelas minhas palavras e atitudes de firmeza e de coragem disse ao grupo quando eu fui chamado, depois de ser inexplicavelmente desligado e sem me darem uma explicação, isso que eu chamo de “papel de moleque”, o que seria o certo, “se eu não quero mais você, se você está proibido de falar, eu faço o comunicado para você” e isso não aconteceu, mas eu soube que eu fui proibido de falar na rádio, de fazer parte de algum programa, dar entrevista ou qualquer coisa assim, caçaram o meu direito de liberdade de expressão, o que fere os princípios da Constituição, o direito do cidadão. Mas deixei para lá, não quis entrar no mérito, até porque não tinha o documento que comprovasse, apenas pessoas me disseram que houve um tal documento interno determinando que a partir daquele momento eu estava proibido de falar qualquer coisa na Rádio Rural. Eu penso que a questão Rádio Rural, se não houver uma tomada de decisão, de vontade política, uma vontade de tentar somar esforços em uma grande mobilização, a Igreja Diocesana de Santarém com todas suas forças vivas, vista a camisa, se manifeste e participe de uma grande campanha para socorrer e ajudar a Rádio Rural, não vai resolver.

Jornal O Impacto: Você acha que a Rádio pode chegar ao fim assim como ocorreu com a Gráfica Tiagão?

Ivan Sadeck: Pode acontecer que chegue um momento que você não tenha mais água e nem oxigênio no fundo do poço. Aí você começa a se asfixiar. Eu atribuo a culpa à gestão, toda empresa que você não tiver uma boa administração, você está correndo o risco de levar essa empresa ao caos, a uma falência. Eu só espero que isso não aconteça. Eu disse uma vez em uma reunião que eu estava presente: “Só espero que meus olhos enquanto estiverem abertos e tenham vida, eu não tenha o desprazer, a tristeza de ouvir a notícia de que a Rádio Rural fechou. Já vi a Rádio Rural saiu do ar. Houveram dois dias que tiveram problemas por falta de pagamento, foi desligada a energia dos transmissores e a rádio ficou praticamente fora do ar, o que é lamentável”. Eu penso que foi uma questão de gestão. Você não faz uma boa gestão trocando repetidamente aqui e ali, esse troca-troca é que provoca todo esse desarranjo, todo esse desequilíbrio; eu diria até a credibilidade. A Rádio Rural para mim é a emissora da Igreja, da Diocese na região, que é a voz da mensagem evangélica para o nosso povo, para nossa gente. Temos que pensar seriamente nessa questão da missão e proposta que tem a Rádio Rural, trata-se de uma emissora diferenciada das demais outras. Você não pode colocar a Rádio Rural em uma competição com as outras FM e AM, ela tem sua própria identidade, então, precisamos respeitar isso. Por conta disso, não souberam como conduzir, houve alguns desmandos, gastos desnecessários, isso vai acumulando dívida sobre dívida. É aquela história, você tem a sua família, sua casa, você recebe de salário cinco mil reais, mas todo mês você está gastando além dos cinco mil; depois de um certo tempo, quando você se der conta, quanto vai estar a sua dívida? Você não está conseguindo administrar, esse é o problema, gestão e essa não é uma questão pertinente à Rádio Rural, mas é de uma questão nacional, toda as empresas hoje estão vivendo uma situação difícil e se você não tem o chamado choque de gestão, se você não tem um bom administrador que saiba conduzir, que saiba como adequar custos e despesas com aquilo que você tem de entrada, você terá a tendência natural da falência. Além do mais, eu tive conhecimento que por conta de todas essas mudanças tiveram perdas de muitos patrocínios. Se você tinha 50 patrocínios e restaram apenas 10 ou 15, pensa bem o que representa isso, uma queda em termo de entrada de recursos. A Diocese também vive momentos difíceis, algo que não é exclusividade da Diocese de Santarém. A grande maioria das dioceses do Brasil inteiro está passando por momentos difíceis. Tem crises de ordem, como parte da vida da sociedade que também vive momentos de crise hoje e a igreja como é presença viva nessa sociedade, também tem os seus reflexos.

Por: Edmundo Baía Junior

Fonte: RG 15/O Impacto


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