Ex-ministro petista Palocci cita pelo menos cinco bancos em delação premiada

Pelo menos cinco bancos são citados na colaboração premiada firmada entre o ex-ministro petista Antônio Palocci e a Polícia Federal (PF) na Lava Jato. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo, que diz ter tido acesso a termos da delação.

Segundo a reportagem publicada nesta sexta-feira, 19, os bancos pagaram propina disfarçada de doação eleitoral para campanhas do PT em troca de informações privilegiadas e defesa dos interesses da instituição e de seus acionistas.

Confira algumas das principais informações reveladas pelo jornal:

Bradesco

O interesse do Banco era ter informações privilegiadas junto ao Banco Central, além de contar com o apoio do governo federal em decisões estratégicas da Vale. O banco era um dos principais acionistas da mineradora. O Bradesco teria doado cerca de R$ 27 milhões para campanhas do PT entre 2002 e 2014, por vias oficiais. Já o Banco diz que fez doações eleitorais a partidos por entender a importância das eleições e classificou a delação de Palocci como “ilações descabidas”.

Banco Safra

Segundo Palocci, uma operação de socorro do BNDES ao Banco Safra teria sido arquitetada a pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para beneficiar o banco. O BNDES teria feito uma injeção de R$ 2,4 bilhões na Aracruz Celulose para que ela fosse vendida ao grupo Votorantim. O grupo Safra tinha uma participação na Aracruz e, com a ajuda do BNDES à empresa, o grupo conseguiu vender sua participação por R$ 2,7 bilhões, mesmo com a empresa enfrentando prejuízo. Em contrapartida, segundo Palocci, os grupos Safra e Votorantim fizeram repasses ao PT nas campanhas de 2010 e 2014, totalizando mais de R$ 6 milhões.

A Votorantim negou irregularidades no caso e afirmou que fazia doações eleitorais de forma apartidária e com transparência.

Itaú Unibanco

O Itaú Unibanco teria repassado R$ 4 milhões à campanha de Dilma em 2010. O repasse seria uma recompensa pela atuação do governo Lula em favor da fusão das duas empresas. Palocci narra que a gestão petista teria atuado junto ao Banco Central e ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

O banco também tinha interesse, segundo a delação, de saber previamente se haveria alterações das taxas de juros pelo Banco Central para que pudessem lucrar no mercado. Segundo o ex-ministro, essas informações eram repassadas por ele e, depois, pelo seu sucessor no Ministério da Fazenda, Guido Mantega.

O Itaú respondeu ao jornal que a fusão não teve irregularidades e que as doações feitas pelo banco eram em valores iguais a diferentes partidos.

Banco do Brasil


No caso do Banco do Brasil. Palocci cita em sua delação supostas irregularidades na liberação de crédito para o grupo Parmalat em 2008. O ex-ministro conta que recebeu uma propina de R$ 100 mil da Parmalat em troca da liberação dos aportes do Banco do Brasil.

O Banco negou as irregularidades e afirmou ao jornal O Globo que as concessões de crédito são feitas de forma técnica e são decididas por um colegiado.

Com informações da Gazeta do Povo

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