Ministério Público Federal denuncia que invasores ameaçam atacar aldeia dos Xikrin, em Altamira

Os indígenas Xikrin estão sob grave risco de ataques, segundo ofício enviado pelo Ministério Público Federal (MPF) à Polícia Federal em Altamira, no sudoeste do Pará.

A Terra Indígena Trincheira-Bacajá, que abriga os Xikrin, está localizada entre os municípios de Altamira, Anapu e São Félix do Xingu, às margens do rio. O território é um dos atingidos pela usina hidrelétrica de Belo Monte e já enfrenta problemas com invasores há algum tempo, mas a situação se agravou na atualidade.

Na terça-feira, 26, lideranças Xikrin foram até a sede de Altamira denunciar ao MPF, que um grupo de cerca de 300 invasores que havia construído várias casas dentro da terra indígena, agora estão ameaçando matar os líderes da etnia. Fortemente armados, os invasores estão escondidos na floresta na região do Igarapé Prazer, às proximidades da aldeia Rap-ko, ameaçando atacar o local.

Eles foram recebidos pela procuradora da República Thaís Santi, que requisitou medidas urgentes à Polícia Federal para evitar uma tragédia na terra dos Xikrin. Ela solicitou que sejam enviados policiais para o local no prazo máximo de 24 horas.

No documento, o MPF ressalta que todas as informações sobre a situação de tensão na Trincheira-Bacajá são de conhecimento da Fundação Nacional do Índio (Funai), que possui mapas detalhados com as coordenadas onde estão localizados os invasores e, por isso, é necessário que o órgão, responsável pelos indígenas, acompanhe toda a ação policial.

Após terem denunciado a invasão há cerca de um ano e sem conseguir a expulsão, um grupo de caciques e guerreiros Xikrin foi até os lotes abertos pelos invasores, exigiram a retirada pacífica e apreenderam as motosserras. Além de não sair, os grileiros se esconderam e passaram a ameaçar os indígenas e afimam que vão invadir a aldeia.

“O grupo que compareceu ao MPF, explicou que a decisão dos indígenas de ir pessoalmente exigir a saída dos ocupantes decorreu das imagens de fumaça que chegaram às aldeias. Não suportando assistir a sua terra incendiada, e tendo em vista a demora de ação policial por parte do Estado, tomaram a medida de apresentar-se ao local. Relataram que está se consolidando uma ocupação dentro da terra indígena, com desmatamento, abertura de pastagens e construção de moradias com roças”, relata a procuradora da República Thais Santi no ofício enviado à delegacia da PF em Altamira.



O MPF afirma que com a implantação da usina de Belo Monte, as quadrilhas ficaram livres para agir, apesar da proteção das terras indígenas ser uma condicionante específica para implantação da hidrelétrica, que começou a funcionar em 2015.

O cenário de colapso ambiental em Altamira está diretamente relacionado à não implementação do plano de proteção dos territórios indígenas, visto como uma das principais medidas condicionantes, que deveriam ter antecedido à instalação da usina. “Toda a pressão sobre os territórios foi prevista, assim como a ação mitigatória que era necessária. O impacto realmente ocorreu. E a proteção dos territórios não ocorreu”, resume a procuradora Thais Santi que acompanha desde 2012 a instalação da usina de Belo Monte.

Fonte: MPF

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