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Eleitor Santareno quer vereador que atenda à população

CMS é composta hoje por 21 vereadores, responsáveis pela elaboração de leis e fiscalização do Poder Executivo
Santarém - A dez meses da eleição municipal de 2020, quando a população vai poder escolher o prefeito da cidade e mais 23 vereadores da Câmara Municipal de Santarém, eleitores já manifestam suas preferências e o que esperam de um candidato a vereador. Em primeiro lugar, que ele atenda aos interesses da população, que elabore leis municipais relevantes, fiscalize a atuação do prefeito e ainda zele pela comunidade ou causa que representa.

Para o ciclista Marcelo Aguiar, o vereador deve ter um senso de coletividade muito maior, com intuito de fortalecer a participação social inclusiva na mobilidade urbana da cidade. “O vereador deve valorizar a mobilidade ativa, sugerir projetos para redução das mortes no trânsito, qualificar e expandir infraestrutura para pedestres e ciclistas. Além do transporte coletivo”, diz Aguiar.

“A promoção da sustentabilidade ambiental, por meio da mobilidade urbana, também é uma das bandeiras que o vereador deve levantar. Com mais humanização, vias calmas e espaços para pedestres”, ressalta o ciclista.

Questionado se lembrava em quem havia votado na eleição passada para o cargo de vereador, e se chegou a acompanhar o mandato eletivo, ele afirma que sim e reitera que votaria no vereador novamente, caso ele fosse candidato a reeleição.

“Lembro sim, ainda acompanho o mandato dele diariamente. Dentro das expectativas, acredito que ele se propôs a fazer o que prometeu, pois a implementação e aprovação dos projetos de lei dependem da maioria da Câmara”, comenta.

"A promoção da sustentabilidade ambiental, por meio da mobilidade urbana, também é uma das bandeiras que o vereador deve levantar", diz Marcelo Aguiar

"A promoção da sustentabilidade ambiental, por meio da mobilidade urbana, também é uma das bandeiras que o vereador deve levantar", diz Marcelo Aguiar

Um levantamento realizado em 2018 pelo Instituto Locomotiva/Ideia Big Data, determinou que 89% dos eleitores acreditam que os parlamentares não pensam na população para tomar decisões nas casas legislativas. Essa percepção demonstra que os brasileiros acreditam que os políticos defendem mais os próprios interesses em detrimento das reais necessidades da população.

Essa pesquisa também determinou que 94% dos eleitores brasileiros afirmam que os políticos estão mais preocupados com a manutenção dos mandatos do que pôr em prática suas promessas de campanha. Por essa razão, o professor doutor Alexandre Chaves não tem grandes expectativas para o novo pleito.

“Sinceramente, minhas expectativas políticas são muito baixas. Alguém que acompanha de maneira mínima os noticiários verifica sempre esse mar de corrupção. Esse imaginário coletivo nos faz crer que a classe política não é confiável”, desabafa o educador.

Aos possíveis candidatos a uma cadeira na Câmara Municipal, Chaves diz apenas que levem a sério as suas promessas de campanha e pensem a longo prazo. “Comente e defenda ações que vão promover o desenvolvimento humano integral e, principalmente, após deixar seu mandato, tenha a consciência limpa de ter deixado a cidade melhor do que a encontrou”, observa o professor doutor.

A servidora pública, Flora Paes, sustenta que o homem público deve conhecer a realidade das causas, mencionando a assistência social como uma das frentes de trabalho que beneficiam a população em diversas faixas de idade e condição social.

“Conhecer a assistência social e reconhecê-la como um ponto de partida para melhoria dos cidadãos de Santarém é o início de tudo. Só assim será possível investir em políticas públicas de qualidade nessa questão”, explica Paes.

Francisco Cunha atua na militância a favor dos direitos da pessoa com deficiência

Francisco Cunha atua na militância a favor dos direitos da pessoa com deficiência

Flora diz que ainda não tem um candidato ou candidata, mas que, para ela, seria melhor votar em uma pessoa que defenda causas relevantes. “Com responsabilidade e interesse verdadeiro na resolução de benfeitorias para comunidade local”, enfatiza a voluntária.

Francisco Cunha atua na militância a favor dos direitos da pessoa com deficiência, e, como cadeirante, ele ressalta que exercer a cidadania na cidade tem sido difícil ao percorrer as ruas de Santarém.

“O vereador deve elaborar as leis municipais que façam a diferença na vida das pessoas, também fiscalizando com afinco a atuação do prefeito. Pois são os vereadores que propõem, discutem e aprovam as leis a serem aplicadas em Santarém. Entre essas leis, deve haver um retorno na aplicação dos impostos em políticas inclusivas para as pessoas com deficiência”, pondera Sancho.

Parlamento de causas

O cientista político João Santiago assegura que esse foco, em causas específicas, está hoje representado na atual legislatura do Parlamento municipal, onde os eleitores enxergam a resolução dos problemas locais, da sua comunidade, por meio da efetivação desses mandatos eletivos.

“Todos os 21 vereadores são temáticos, ou seja, todos representam uma causa. Existem os defensores dos professores, de bairros e animais. Alguns são ligados à religião, e representam a manutenção dos valores do seu eleitorado”, observa.

Para o cientista político, devido a esse foco comunitário, que determina um alívio momentâneo à questão da reunião de votos, nem todos os parlamentarem possuem uma visão geral dos contextos da cidade.

“É necessário que as próximas legislaturas detenham vereadores voltados a Santarém do futuro. Questões como mobilidade urbana, sustentabilidade e tecnologias devem entrar em discussão na Casa”, aponta.

Santiago defende esse contexto para abrir precedentes a candidaturas que visem a uma globalidade e possam obter mais sucesso no pleito de 2020. “Os vereadores são agentes de representação de interesses e devem corresponder às demandas societárias. Essa discussão tem que envolver a sociedade para promover o real desenvolvimento da cidade”, finaliza.

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