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Saiba como navio que naufragou no AP será içado; buscas entraram no 10º dia

Empresa foi contratada pelo Estado por R$ 2,4 milhões. Manobra aguarda autorização da Marinha para ser iniciada; quando começar, resgate será suspenso. Até domingo (8), 33 corpos foram retirados do local, que fica no Sul do estado, no Rio Amazonas.
Busca e resgate de vítimas do naufrágio do Anna Karoline 3, no Amapá — Foto: GTA/Divulgação

Nesta segunda-feira (9), 10º dia de buscas por vítimas do naufrágio da embarcação Anna Karoline 3 ocorrido no dia 29 de fevereiro, no Sul do Amapá, o governo do Estado deu detalhes sobre o processo que será feito para retirar o navio do fundo do rio. A manobra aguarda autorização da Marinha para ser iniciada; o projeto foi apresentado ao órgão no domingo (8).

Veja o que se sabe sobre o naufrágio do Anna Karoline 3

De acordo com o último boletim do governo estadual, até domingo (8), houve o resgate de 33 corpos; e 51 sobreviventes - o número de vítimas vivas aumentou porque passaram a ser contabilizados no índice o comandante e um tripulante.

O projeto da reflutuação foi apresentado pelo secretário de Justiça e Segurança Pública do Amapá, coronel Carlos Souza, durante entrevista coletiva com a imprensa na manhã desta segunda.

O procedimento, que já tem a empresa contratada de Belém, emergencialmente, custará aos cofres públicos R$ 2,4 milhões; segundo Souza, o Estado deve fazer uma ação de ressarcimento de valores contra a empresa proprietária da embarcação, porque ela é a responsável pelo navio e reflutuação.

A empresa responsável pela manobra já atuou em 3 reflutuações; a última foi realizada no acidente com a balsa que provocou a queda de uma ponte, no Pará, no ano passado. O pagamento será realizado em desembolsos de 40%, 10% e 50%.
Foto mostra como era o navio Anna Karoline III — Foto: Reprodução/Redes sociais

O secretário afirmou que o trabalho de buscas fluviais e de mergulho em busca de vítimas será suspenso para que seja iniciada a manobra, por medidas de segurança.

O processo também contempla isolamento da área pois há possibilidade de vazamento de óleo diesel, que estava dentro do navio para ser usado como combustível.
Bombeiros fazem buscas por vítimas do naufrágio do navio Anna Karoline 3, no Sul do Amapá — Foto: Prefeitura de Almeirim/Divulgação

"É importante deixar claro que nosso trabalho na reflutuação desse navio é para resgatar os corpos. Essa é a nossa preocupação. Como ele está fazendo [reflutuação] degrau a degrau, quando ele já estiver fora da lama, eles vão conseguir fazer essa inspeção", declarou o secretário de Segurança Pública.

O navio, feito de aço, está localizado a 440 metros da margem mais próxima, a mais de 12 metros de profundidade.

Como será feita a manobra?

As primeiras etapas são um mergulho de inspeção e isolamento da área da tragédia. O Anna Karoline 3 pesa em torno de 200 toneladas. O comitê explicou que, considerando pesos embarcados no navio, além de lama e a pressão da água, as máquinas terão que lidar com o içamento de um peso em torno de 1,1 mil toneladas.

Para isso, o trabalho contempla reflutuação e içamento do navio através de uma balsa que ficará ancorada na região com 2 guindastes. Cada veículo pesa 200 toneladas. O procedimento também terá instalação de flutuadores que auxiliarão os guindastes.

Esses flutuadores são barris que serão submersos preenchidos com água e, quando foram presos ao barco, serão preenchidos com ar e, a cada "degrau", o barco se aproxima mais da margem, onde será totalmente emergido.

A ação de gestão ambiental da atividade, para evitar que óleo diesel se espalhe pela água, contará com:

Barreira de contenção
Rolo e manta de absorção
Boias sinalizadoras
Cabos de nylon
Barreiras absorventes
Motobomba de auxílio
Bombona de 1 mil litros

O naufrágio

O Anna Karoline 3 saiu por volta das 18h da sexta-feira, 28 de fevereiro, de Santana, no Amapá, em direção a Santarém, no Pará. A viagem entre as duas cidades dura, em média 36, horas. A previsão de chegada em Santarém era às 6h do domingo, 1º de março.

Mas a viagem foi interrompida na madrugada de sábado, próximo à Ilha de Aruãs e à Reserva Extrativista Rio Cajari, no Rio Amazonas (veja no mapa abaixo), numa região a 130 km de Macapá, em um local de difícil acesso e comunicação. O chamado de socorro foi feito pelo comandante às 5h, e o primeiro resgate só chegou ao local por volta das 14h de sábado.

O que motivou o naufrágio ainda é uma pergunta sem resposta, mas as suspeitas apontam para o excesso de carga.
Vídeo mostra carga embarcada no navio Anna Karoline 3 antes do naufrágio — Foto: Reprodução

O Corpo de Bombeiros afirmou que não há um número oficial de vítimas, pois a embarcação não tem uma lista de passageiros para orientar as buscas.

Sobreviventes descreveram que chovia e ventava forte na hora do naufrágio. Também há testemunhas que afirmam que o navio estava sendo abastecido com combustível. A Capitania dos Portos ainda vai investigar o que provocou o acidente.

Estimou-se inicialmente que pelo menos 60 pessoas estavam sendo transportadas. Nas embarcações ao redor dos bombeiros estão abrigados parentes de desaparecidos e sobreviventes, que contestam os números e dizem que o navio levava em torno de 100 pessoas, além de muita carga.
Buscas por vítimas do naufrágio do navio Anna Karoline 3, no Sul do Amapá — Foto: Prefeitura de Almeirim/Divulgação

Na terça-feira (3), a polícia do Pará prendeu um suspeito de vender combustível irregular para o Anna Karoline 3. Ele nega a prática no momento da tragédia, mas disse que se aproximou do navio para receber uma mercadoria.

A Polícia Civil do Amapá abriu um inquérito para apurar criminalmente o caso e busca identificar se a embarcação estava com excesso de carga. O Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público (MP) estadual também se mobilizam para investigar criminalmente as circunstâncias que envolvem o naufrágio.

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) identificou que a empresa não tem autorização para operar na rota Santana-Santarém.

O Congresso Nacional também criou uma comissão externa para apurar responsabilidades do naufrágio. O grupo tem 180 dias para as ações e será formada por 7 parlamentares titulares e 7 suplentes, cujos nomes ainda serão definidos.

Veja dados da Antaq sobre o navio:

Nome: Anna Karoline 3
Linha autorizada: Santarém – Manaus
Comprimento: 38,25 metros
Largura: 7,3 metros
Capacidade de passageiros: 242 passageiros (sem qualquer carregamento adicional)
Capacidade de carga: 89 toneladas
Quantidade de convés: dois

A Marinha do Brasil acrescentou que, no cadastro do navio que consta no órgão, é descrito que o Anna Karoline 3 foi construído em 1995, e que atua com 11 tripulantes.

Por G1 Amapá 

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