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Bolsonaro demite ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta

A demissão do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, ocorreu depois de quase um mês de clima tenso entre ele e o presidente Jair Bolsonaro, situação que se agravou publicamente nos últimos dias.

De um lado, o ministro insistia em cumprir o isolamento social que determina a Organização Mundial da Saúde (OMS) e demais autoridades de saúde no mundo inteiro para conter o avanço do coronavírus. De outro, Jair Bolsonaro defende o isolamento vertical, isto é, apenas das pessoas dos grupos de risco.

A gota d’água da crise entre o agora ex ministro e o presidente, que já havia ameaçado Mandetta de demissão em várias ocasiões, se deu no último domingo, 12, quando Mandetta concedeu entrevista ao programa Fantástico, da Rede Globo, emissora com a qual Bolsonaro declaradamente não se relaciona.

Na entrevista, entre outras alfinetadas no presidente, Mandetta declarou que, sobre o isolamento social, “o povo não sabia se ouvia o ministro da saúde ou o Presidente da República”, e cobrou que o governo tivesse uma “fala única” nesse sentido.

Com a entrevista, Mandetta perdeu o apoio que ainda tinha da cúpula militar que cerca o presidente Jair Bolsonaro, e que há cerca de dez dias havia feito uma reunião de conciliação para que o Bolsonaro mantivesse Mandetta no cargo, após uma das ações em que o presidente fez questão de causar, ele mesmo, uma aglomeração em torno de si, durante um passeio pelo comércio de Brasília no dia 29 de março.

A ação foi notícia no mundo inteiro e uma clara afronta à conversa tensa que o presidente teve com o então ministro Luiz Henrique Mandetta no sábado, 28, véspera do passeio. Na ocasião, fontes afirmaram que, em dado momento da reunião, Mandetta teria perguntado a Bolsonaro e outros ministros presentes se eles estavam preparados para ver o Exército carregando corpos pelas ruas do Brasil, como estava acontecendo na Itália, o país europeu mais devastado pelo novo coronavírus.

Bolsonaro teria, nessa hora, se retirado e “dado um tempo da reunião. Porém, ao retornar, o clima continuou tenso e ele chegou a ameaçar presencialmente Mandetta de demissão, e ouviu como resposta do ministro que sim, Bolsonaro poderia demiti-lo, mas que ele mesmo não pediria demissão, como não o fez, enquanto outras ameaças de Bolsonaro se seguiram pela imprensa.

Desgaste – O desgaste entre o presidente e o ministro Mandetta já vinha desde o início da política de isolamento no Brasil, quando o presidente Jair Bolsonaro já havia saído num domingo à tarde cumprimentando pessoas e falando com apoiadores, apartando a mão de mais de 270 pessoas e descumprindo a orientação de distanciamento, recomendado a ele após 20 pessoas de sua comitiva aos Estados Unidos terem sido diagnosticadas com a Covid-19, incluindo seu secretário de comunicação, ministros e empresários próximos a Bolsonaro.

Nessa fase Mandetta ainda tentou contemporizar – evitando criticar Bolsonaro diretamente – mas sempre mantendo a orientação do chamado isolamento social horizontal definido por sua equipe, enquanto o presidente ia na outra direção.

Antes da demissão do ministro, aliados e interlocutores do presidente Jair Bolsonaro avaliavam que uma eventual saída de Mandetta do cargo poderia ter repercussões "imprevisíveis". Do lado do ministro, aliados temem uma radicalização do governo Bolsonaro contra as medidas deixadas por Mandetta.

Para eles a saída do ministro pode gerar uma reação de outros Poderes, como Legislativo e Judiciário, na tentativa de frear ações do Palácio do Planalto que coloquem a população em risco em meio ao combate ao novo coronavírus.

Fonte Roma News

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