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Falta de atendimento médico a 300 presos doentes seria um dos motivos da rebelião em Manaus

A Pastoral Carcerária Nacional enviou um documento para à Defensoria Pública do Amazonas e à Justiça do Estado, onde informava que cerca de 300 detentos estavam doentes. Além de, listar diversas denúncias de violações de direitos de presos da Unidade Prisional do Puraquequara, onde houve uma grande rebelião na manhã deste sábado, 2. Segundo o governo, as denúncias não procedem e que não há nenhum preso doente ou com sintomas do novo coronavírus na UPP.

A rebelião que aconteceu neste sábado, durou cerca de cinco horas, os presos utilizaram agentes penitenciários como escudo humano para se defender e fazer as exigências de preservação dos seus direitos e melhores condições médicas e sanitárias dentro do presídio.

Segundo a Pastoral Carcerária a denúncia foi formalizada no final de março, onde a pastoral detalhou a falta de cuidados médicos aos detentos e afirma que, só no Puraquequara, mais de 300 presos estariam doentes, sendo vítimas de uma enfermidade que apresenta os mesmos sintomas da Covid-19.

Durante a rebelião a coordenadora da pastoral, Irmã Petra Silvia afirmou que o motim causado na UPP, era o resultado de inúmeras denúncias que não foram ouvidas pelas autoridades e, que sem a pandemia, a situação nos presídios do Amazonas já estava em uma situação muito grave. Agora, ficou pior. Ainda segundo ela, a resposta do estado é altamente repressiva.

A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) repudiou a denúncia da Pastoral Carcerária ao afirmar que as informações são inverídicas e que não há registro de detentos infectados ou com sintomas da doença. O órgão ainda afirma está obedecido a todas as orientações das autoridades de saúde, bem como realizado ações diárias de orientação e conscientização para todos os internos e colaboradores do sistema prisional". Ainda na nota, o órgão diz que "irá tomar as devidas medidas judiciais para responsabilizar os envolvidos na denúncia".

No documento, a Pastoral afirma que "há relatos de presos que não seriam levados para a enfermaria, presos que permaneceriam algemados no ambulatório, presos que estariam sofrendo desmaios e tremores, presos que não estariam recebendo remédios, presos que estariam recebendo remédios em desacordo com os sintomas apresentados, presos que seriam obrigados a tomar uma espécie xarope compulsoriamente, dentre outros denúncias".

O Amazonas já registrou dois casos confirmados de coronavírus dentro do sistema penitenciário. Um no Centro de Detenção Provisória Masculino e outro no presídio de Parintins, no interior do estado.

De acordo com a Seap, só no último mês, 440 internos deram entrada no sistema carcerário do Amazonas. Há uma superlotação no sistema, que hoje abriga 5.742 presos - quando a capacidade é de 3.508. Só na UPP são 1.079 detentos. O defensor disse, ainda, que os leitos disponíveis no sistema carcerário já estão quase todos ocupados por presos que possuem doenças comuns, como HIV, tuberculose, hipertensão, câncer, doenças respiratórias, cardíacas, entre outras.

A pastoral ainda relatou outra denúncia que foi a falta de alimentação e distribuição de água para os presos. Familiares que acompanharam a rebelião do lado de fora da UPP na manhã deste sábado fizeram relatos semelhantes. Segundo eles, a água estaria sendo racionada pela unidade, mediante a disponibilização durante apenas duas vezes por o dia. Ou seja, na maior parte do dia não teria água disponível.

No fim da rebelião que durou cinco horas, o secretário de segurança público do Amazonas, coronel Louismar Bonates, desmentiu novamente as denúncias e afirmou que os presos estavam sendo bem tratados.

Fonte: G1

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