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‘Não há evidências para dizer que o pior já passou’, diz infectologista sobre coronavírus no Pará

Na noite desta quinta-feira, 21, o governador Helder Barbalho debateu a retomada das atividades não essenciais com representantes de entidades ligadas a trabalhadores. Para a infectologista e adjunta do Núcleo de Medicina Tropical da Universidade Federal do Pará (NMT-UFPA), Marília Brasil Xavier, não há evidências para dizer que o pior já passou.

Em uma rede social, a especialista publicou algumas considerações da equipe do laboratório acerca da situação, que afirmam que usar a taxa de letalidade ou diminuição de número óbitos para avaliar a curva de uma epidemia não é o adequado.

“Para avaliar curva epidêmica é necessário basear-se na incidência (casos dia de preferência) assim poderá saber-se se está em ascensão, se atingirá o pico, platô e só depois lentamente iniciará a descida”, afirma na publicação , levando em consideração a subnotificação de casos no estado. Muitos óbitos ocorridos em semanas anteriores, só passaram a ser de conhecimento do governo no início desta semana.

“No caso da Covid- 19 em Belém e no Pará, os dados eram apresentados sem conseguir se saber de quantos dias de acúmulo! Uma vez que demora a coletar e liberar resultados. Além do que existe uma subnotificação grande. E desses, os graves, que internam e morrem são apenas um subconjunto. Portanto não há elementos disponíveis para analisar a dinâmica da epidemia segundo os dados disponibilizados dessa forma”, explica.

A especialista ainda destacou nas considerações, o fato de que as subnotificações de casos leves, e principalmente de assintomáticos, gerarem um risco para uma segunda fase de crescimento de contágio.

“Com uma testagem baixa, muitas pessoas com sintomas leves e moderados não procuram à assistência de saúde, ficando em casa (que é o correto), mas portanto não são testadas e não são notificadas como casos positivos. De forma geral só temos ideia dos casos moderados a graves, que são internados e portanto testados e de pessoas que têm condições financeiras e fazem testagem no sistema privado”.

A médica enfatiza a necessidade de uma melhor análise da capital e alerta sobre a situação dos interiores, cujos números cresceram consideravelmente em curto tempo.

"Se seguirmos análises observando a evolução de casos e experiências de outros países, o Brasil e o Pará tem ainda comportamento de ascensão. Belém necessita de melhor análise, mesmo que os serviços de saúde tenham visivelmente e progressivamente, apresentado menor procura segundo gestores! Medidas de retorno do lockdown (que nem foi tão efetivo, pois não atingiu taxas desejaveis de isolamento) devem ser tomadas com cautela. A periferização e interiorização estão ainda em curso. A capital foi decisiva no processo de expansão e interiorização. Isso continuará acontecendo", finaliza Marília.

Marília Brasil Xavier é mestre, pesquisadora, doutora e especialista em Infectologia pela Sociedade Brasileira de Infectologia e possui especialização em Saúde Coletiva, com vasto currículo na área da saúde.

Fonte Roma News 

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