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Pesquisador aponta entre 12 e 16 mil casos de coronavírus no Pará nos próximos dez dias

Números dobram a cada 5 dias e devem crescer se as medidas não forem endurecidas
Crédito: Arte Roma News

O ritmo de crescimento do novo coronavírus no Pará aponta que nos próximos dez dias o estado poderá ter de 12 a 16 mil casos da covid-19, a doença causada pelo vírus, que já tem 4.472 casos confirmados no estado e quase triplicou o número de mortes na última semana, saltando de 132 para 369 mortes até esta terça-feira, 5. A projeção apontada pelo pesquisador Yuri Willkens, da Universidade Federal do Pará (UFPA), é baseada nos dados oficiais que mostram os casos sendo duplicados em média a cada 4 a 5 dias no Pará.

Willkens, biólogo e pesquisador do Programa de Pós-Graduação de Biologia de Agentes Infecciosos e Parasitários (PPG BAIP) da UFPA, identificou que em 48 dias de confirmação do primeiro caso de covid-19 no Pará, em 18 de março, já ocorreram 11 duplicações dos números, com a última no dia 29 de abril, e as próximas previstas para os dia 7 ou 8; e novamente entre os dias 14 a 15 de maio.

Ele identificou esse ritmo no avanço dos casos avaliando a curva de crescimento divulgada pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). “Com o passar das semanas e o afrouxamento das medidas de isolamento social, que acabaram ocorrendo em alguns momentos, as datas das duplicações tem se mantido altas, a cada 4 a 5 dias, e se as medidas não forem endurecidas esse avanço continua em linha reta e dificulta ainda mais o achatamento da curva de crescimento dos casos”, explica.

Pico no Pará - A avaliação dos dados feita pelo biólogo é muito semelhante ao estudo divulgado há alguns dias pelo Laboratório de Sistemas Ciberfísicos (Lasic), com pesquisadores da UFPA e Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), com projeções de que no pico da doença, no dia 14 de maio, o Pará teria 12 mil casos da doença, e até o final da curva, com o controle local da epidemia, o Pará poderá totalizar mais de 200 mil casos da doença. Ao divulgar o estudo, o professor Glaube Marques, da UFRA, afirma que a precisão das projeções é acima de 90%.

Subnotificação esconde real número de doentes transmitindo a covid-19

Segundo Yuri Willkens, há fortes indícios de que os dados oficiais no Pará, assim como no restantes do Brasil, são subnotificados pela falta de acesso da população aos testes, que não são suficientes para atender nem as pessoas sintomáticas. Ainda assim, os dados dão um indicador do quantitativo de pessoas doentes contaminando outras pessoas.

O pesquisador explica que em países que conseguiram controlar de forma mais rápida a pandemia, como Alemanha, Coreia e Taiwan, o índice de pessoa doente contaminando outras é de 1, enquanto em países com situação crítica, como Itália e Estados Unidos, o índice é de 2 a 3 pessoas, e o Brasil está seguindo essa tendência dos países críticos, quadro que tem se repetido nos estados com os maiores índices de crescimento de casos, o que inclui o Pará.
Ele ressalta que as projeções podem ajudar o poder público a elaborar planejamentos para lidar com a pandemia, o que pode incluir o endurecimento das medidas de isolamento social. “Pelo tempo de incubação e evolução da doença, observamos que o número de doentes é resultado do comportamento das pessoas há duas semanas atrás, e o número de óbitos é resultado de internações entre 15 e 20 dias de duração e evolução da doença”, explica Willkens, ressaltando que esse é um retrato do quadro em que há testagem e atendimento médico-hospitalar, números que podem ser muito maiores com o sistema de saúde em colapso e pessoas indo a óbito em casa, sem receber o devido socorro médico.

Curva pode sofrer achatamento e números podem cair com adoção do "lockdown"

O prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho, anunciou na manhã desta terça-feira, 5, através de uma live no Instagram, que novas medidas serão adotadas no combate ao novo coronavírus.

A população da capital paraense, aguarda pelo anúncio do sistema de "lockdown". No entanto, Zenaldo afirmou que a decisão será efetivada em parceria com os outros municípios da região metropolitana, até o fim desta semana, e mais tarde detalhou que os serviços essenciciais vão continuar funcionando.

Lockdown é o nível mais alto de segurança e pode ser necessário em situação de grave ameaça ao Sistema de Saúde. Durante um bloqueio total, todas as entradas do perímetro são bloqueadas por profissionais de segurança e ninguém tem permissão de entrar ou sair do perímetro isolado.

O objetivo dessa medida é interromper qualquer atividade por um curto período de tempo. Ela se mostrou eficaz para redução da curva de casos e dar tempo para reorganização do sistema em situação de aceleração descontrolada de casos e óbitos.

Fonte Roma News 

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