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Alunos de Medicina da UEPA se manifestam contra ensino à distância

Os representantes das turmas de graduação da instituição afirmam que a medida “não abrange todas as questões necessárias para uma educação de qualidade, igualitária e justa”
Crédito: Divulgação/UEPa

Desde o mês de março, quando o Pará registrou os primeiros casos de coronavírus no estado, a rede pública de ensino paraense está com as aulas suspensas. Com o objetivo de amenizar os danos dessa paralização, algumas instituições estão adotando o ensino á distância. Os alunos do curso de Medicina da Universidade Estadual do Pará (UEPA) se manifestaram contra a medida.

Representantes das turmas de graduação da UEPA divulgaram à comunidade acadêmica e coordenação do curso, uma carta aberta tratando da possibilidade de aulas remotas e solicitando apoio dos alunos, professores e servidores contra a proposta. Segundo eles, a medida “não abrange todas as questões necessárias para uma educação de qualidade, igualitária e justa”.

Para os alunos, o EAD é um meio excludente de ensino, pois muitos alunos não teriam como acompanhar as aulas devido suas condições socioeconômicas. “Tal medida não é plenamente justa no contexto universitário, pois nem todos os alunos apresentam condições plenas de participar das atividades por diversos motivos, dentre os quais, destacam-se: a condição socioeconômica de considerável parcela dos estudantes, os quais não possuem acesso à internet de qualidade, computador ou os demais meios físicos necessários para comparecer às aulas, ou aqueles que vivem em condições diversas, morando sozinhos, sem suporte material, ou em municípios distantes da capital; além das demandas de saúde mental, uma vez que os estudantes da área da saúde são comprovadamente mais propensos a adquirir transtornos mentais, situação agora agravada com a pandemia”, diz a carta.

No perfil oficial do grupo no Twitter, os alunos publicaram relatos de pessoas afirmando que precisarão trancar o curso, caso seja implementado o ensino à distância no curso de medicina da UEPA.
Além disso, os acadêmicos pontuaram a falta de auxílio aos alunos com problemas socioeconômicos. Segundo eles, a instituição apenas citou a alternativa do aluno com dificuldade entrar em contato com a coordenação por correio eletrônico (e-mail) para que sua situação seja avaliada. Porém, não foi especificado como será feita essa análise, reclamou os representantes. “Portanto, consideramos que a proposta não versa soluções reais e palpáveis para a superação deste obstáculo, uma vez que se tratam de dificuldades estruturais que dificilmente serão solucionadas com a manutenção do distanciamento social e, assim, este aluno acabará sendo prejudicado e desamparado”, explica.

A carta também pontua a falta de planejamento para retorno das aulas práticas. De acordo com o documento, “é essencial um planejamento concreto que viabilize a realização das atividades teóricas e práticas concomitantes, uma vez que não foi descrito de que forma elas seriam procedidas. Assim, surgem diversas lacunas, como a maneira em que, no retorno às aulas presenciais, as atividades práticas relacionadas aos conteúdos já ministrados serão adequadas com as atividades teóricas ainda pendentes, e de que forma se seguirá o cronograma e as avaliações somativas”.

Ao compararem os posicionamentos de demais universidades públicas, os acadêmicos chegaram a conclusão também, de que as aulas remotas não são vistas como solução no curso de medicina. A Universidade Federal do Pará, (UFPA), por exemplo não adotou o ensino à distância por considerar a ampla quantidade de alunos impossibilitados de realizar tal método. “Até então, poucas universidades públicas impuseram Ensino a Distância no Brasil e, mesmo aquelas que recorreram a essa medida, reconheceram as disparidades entre os alunos dentro do ambiente acadêmico. Na região Norte, onde o acesso a internet é limitado tanto por questões técnicas (velocidade de conexão, tipo de conexão, entre outros) quanto por questões socioeconômicas, essa tentativa seria, portanto, de difícil aplicação.”, explica a carta.

Finalizando o documento, os alunos reclamam que o plano proposto pela UEPA não aborda as demandas particulares dos ciclos básico e clínico. Por conta disso, os acadêmicos sugerem uma reavaliação de cada ciclo do curso, para que não haja maiores prejuízos.

“Dessa forma, mediante o exposto, nos posicionamos CONTRA a implantação de aulas remotas, por acreditarmos ser uma solução imediatista e inviável diante da realidade dos alunos da UEPA, pois, estando em uma Universidade Pública, todos têm direito ao acesso à educação de qualidade e isso não é possível com tantas limitações”, finalizam na carta.

A reportagem do portal Roma News solicitou esclarecimentos e posicionamentos da UEPA, em relação à carta aberta dos alunos de medicina. Esta matéria poderá ser atualizada.

Por Roma News

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