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UFPA nega autoria de pesquisa que embasou plano de retomada das atividades econômicas do Governo do Estado

Instituição afirmou que estudo apontando estabilidade dos casos da Covid-19 é de responsabilidade da Ufra
Crédito: Ascom-UFPA

Questionada sobre divergências de resultados em pesquisas sobre o cenário do Pará na pandemia da covid-19, a Universidade Federal do Pará (UFPA) negou ter responsabilidade institucional no estudo divulgado no dia 25 de maio que embasou o afrouxamento do isolamento social do Governo Estadual.

Nesta segunda-feira, 1º, vários setores econômicos da Região Metropolitana de Belém foram autorizados a funcionarem. Para justificar as medidas, o Estado apresentou uma pesquisa apontando que os números de casos confirmados e casos de óbitos causados pelo novo coronavírus na Região Metropolitana de Belém alcançaram o nível de estabilidade e apresentam tendência de queda.

Segundo uma nota da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Educação Profissional e Tecnológica (Sectec), o estudo foi realizado pelas Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) e UFPA com apoio do governo do Estado. Entretanto, a federal se manifestou informando que seus pesquisadores participaram do estudo de forma independente, portanto, não representam institucionalmente a universidade.

O questionamento foi feito no Twitter pelo perfil Belém Trânsito, após a UFPA publicar uma Nota Técnica apontando que tal estabilidade e tendência de queda não tem base científica. No novo estudo publicado na noite desta segunda-feira, 1, os pesquisadores afirmam que as medidas de afrouxamento de isolamento social são anticientíficas e gerir esta crise com dados imprecisos “pode condenar grande parte da população a contrair a doença e em proporções indefiníveis”.

O estudo da UFPA

Segundo o estudo do GT/COVID/UFPA, os números oficiais da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) sofrem com uma subnotificação, representada pelo atraso das notificações das prefeituras municipais ao Estado, além dos óbitos com causas de morte dadas erroneamente.

Por esse motivo, não é possível e coerente dizer que o Pará está vivenciando uma queda na curva de casos de coronavírus, já que os números, são voláteis e não representam a realidade da população paraense. De acordo com os estudos, Belém pode ter até dez vezes mais casos que o real registrado.

A pesquisa teve como objetivo prestar informação científica à sociedade e em resposta às solicitações dirigidas à UFPA pelo Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) e pelo Ministério Público Federal (MPF). A Nota Técnica foi apresentada pelo Laboratório de Tecnologias Sociais do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica da UFPA, em parceria com pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

O estudo da UFRA

As conclusões da pesquisa da Ufra são diferentes. De acordo com os resultados, o Pará já passou pelo pico de contágio entre os dias 16 a 20 de abril, onde tivemos uma tendência de aumento expressivo do número de casos confirmados de covid-19. Além disso, os paraenses já estariam vivenciando uma queda na curva de casos entre os dias 21 a 26 de abril, que segundo os pesquisadores, apresenta uma tendência de redução de contágio.

"A região metropolitana de Belém apresenta uma tendência de redução na contaminação e óbitos por covid-19, bem como na sua demanda por recursos hospitalares. Este fato, na atual conjuntura, permite afirmar que o dimensionamento destes recursos está condizente com a capacidade de suprimento do estado", afirma a nota da universidade rural.

A pesquisa foi realizada Ufra e Universidade Federal do Pará (UFPA) com apoio do Governo do Estado, assinada por membros do Grupo de Pesquisa (CNPq/UFRA) Núcleo de Pesquisa em Computação Aplicada.

Por Roma News

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