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PF investiga exploração ilegal de madeira e desmonta esquema de corrupção em Brasil Novo, Medicilândia e Uruará

A operação investiga também fraudes em guias florestais e corrupção de servidores públicos
Crédito: Ascom PF

A Polícia Federal (PF) realizou na manhã desta quarta-feira, 29, a operação “Carranca”, que investiga a exploração ilegal de madeira nas regiões de Brasil Novo, Medicilândia e Uruará, no interior do estado.

Segundo a PF, a operação investiga também fraudes em guias florestais e corrupção de servidores públicos. A madeira ilegal estava sendo distribuída para a região nordeste do Brasil.

Na deflagração da operação serão cumpridas diversas medidas cautelares, sendo 14 mandados de medidas cautelares diversas da prisão, 7 mandados de afastamento do emprego ou função pública, 4 mandados de suspensão da atividade de natureza econômica, 7 mandados de sequestro de bens e 25 mandados de busca e apreensão e foi empregado um efetivo de mais de 100 policiais federais.

Os tipos penais investigados são:

- Exploração econômica de floresta nativa em terra de domínio público (art. 50-A, Lei nº 9605/1998);

- Falsidade ideológica (art. 299, CPB);

- Fornecimento de nota fiscal em desacordo com a legislação (art. 1º, V, Lei nº 8137/1990);

- Integrar ou financiar organização criminosa (art. 2º, Lei nº 12850/2013);

- Recebimento de madeira para fins comerciais sem exigir a exibição da licença (art. 46, Lei nº 9605/1998);

- Associação criminosa (art. 288, CPB);

- Corrupção passiva (art. 317, CPB);

- Prevaricação (art. 319. CPB);

- Peculato (art. 312, CPB);

- Violação de sigilo funcional (art. 325, CPB);

- Concussão (art. 316, CPB).
Durante um mandado de busca e apreensão, um celular foi encontrado dentro de um vaso sanitário na tentativa de esconder dados dos policiais. Foto: Ascom PF.

Esquema de exploração

A investigação policial teve início no primeiro semestre de 2016, a partir de denúncias da extração ilegal de madeira no município de Brasil Novo. Com o avanço da investigação, foi possível identificar grupos que atuavam em todas as etapas da cadeia produtiva da madeira: extração, serragem, falsificação de documentos, fiscalização, transporte e compra da madeira ilegal. Esses grupos criminosos foram divididos em quatro núcleos, conforme sua atuação no esquema criminoso.

O primeiro núcleo se refere aos madeireiros de pouco poder econômico, que atuam na linha de frente da extração ilegal de madeira nos municípios mencionados.

O segundo núcleo é dos madeireiros de grande poder econômico, que financiam uma grande cadeia de extração, serragem e distribuição de madeira ilegal, inclusive realizando a manipulação de créditos florestais e falsificação de documentos.

O terceiro núcleo está ligado aos servidores públicos das Secretarias municipais de Meio Ambiente, advogados, engenheiros florestais e outros ligados a esses, que utilizam sua função pública para favorecer e acobertar os crimes ambientais, além de, em alguns casos, participarem do comércio de madeira ilegal.

O quarto núcleo, cuja identificação foi feita com o apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF), é composto por servidores policiais que realizavam fiscalização ilegal na rodovia Transamazônica, cobrando vantagem indevida dos caminhoneiros como condição para prosseguirem viagem ou passando informações de fiscalização rodoviária. Dentre eles há um policial rodoviário federal bem como servidores das polícias civil e militar do estado do Pará, além de batedores caminhoneiros que repassavam informações.

O nome da operação “Carranca” se refere a um tipo de escultura robusta produzida em madeira, que afasta maus espíritos.

Fonte Roma News 

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