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Pandemia causou impacto em 55% das empresas industriais paraenses, revela pesquisa da Fiepa

Decisão surge depois da explosão matar pelo menos 158 pessoas, e cujas suspeitas de negligência por parte das autoridades desencadearem protestos ao longo do último fim de semana
Apesar do impacto da pandemia há otimismo no setor - Crédito: Reprodução - Fiepa

Mais da metade das empresas paraenses sofreram impactos na produção por causa da crise sanitária provocada pelo novo coronavírus.

Pesquisa realizada pelo Sistema da Federação das Indústrias do Pará (Fiepa), entre os dias 24 de junho e 10 de julho, constatou que 55% das empresas locais foram impactadas com os efeitos da pandemia.

O levantamento mostra que desse percentual, 49% sofreram impactos pela redução da demanda e outros 6% não tiveram nenhuma demanda.

Além da produção, a pesquisa também avaliou aspectos como os impactos da pandemia na gestão e os desafios na saúde física e mental do trabalhador. O objetivo da Fiepa é utilizar os resultados para subsidiar ações para o setor.

A pesquisa revela que devido à crise 98% das indústrias tiveram que tomar medidas na gestão para poder sobreviver no período. Entre essas medidas, estão antecipação de férias ou férias coletivas dos trabalhadores (25%), redução nos custos da produção (19%), suspensão temporária de contrato de trabalho (14%) demissão de funcionários (14%), entre outros.

Alguns dos maiores problemas enfrentados pelas empresas no período de março a maio foram o afastamento dos funcionários do trabalho presencial, em decorrência do isolamento social (20%), a falta de capital giro (15%), queda na produção (14%) e falta ou alto custo de matéria-prima (12%).

Sobre o distanciamento social na retomada das atividades (trabalho presencial) e o isolamento social (home office), 62% das indústrias dizem que esses dois fatores têm impactado no clima de trabalho e produtividade da empresa.

Uma outra questão abordada é sobre a saúde mental do trabalhador: 62% dos entrevistados consideram que ela tem impacto no dia a dia da empresa. Para essas questões, a indústria está tomando medidas, como treinamentos e palestras para osfuncionários, novos recursos para aprimorar o home office, além de ações na área de saúde, entre elas a disponibilização de testes rápidos de covid-19, atendimento médico e psicológico.

A gerente de saúde e segurança na indústria do Sesi Pará, Jacilaine Souza, ressalta que, além da doença em si, provocada pelo vírus, com os impactos físicos como as sequelas respiratórias, que em alguns casos requerem cuidados posteriores, a saúde mental do trabalhador é um outro fator bastante impactado. Muitas das vezes essa saúde é afetada por fatores como a preocupação com a pandemia, o distanciamento e o isolamento social.

Mesmo com a pandemia ainda vigente, indústria paraense mostra otimismo na retomada da atividade

Apesar da crise sanitária, que abalou a economia no primeiro semestre de 2020, a pesquisa realizada pela Fiepa mostra que mais de 70% das indústrias paraenses estão muito confiantes ou confiantes em uma retomada da economia.

Mas, apesar dessa confiança, o empresário da indústria paraense se preocupa com as dificuldades que enfrenta em função da crise. “Com a queda da demanda, houve a queda na produção. O resultado é que hoje existem muitos empresários do setor que estão vendendo seus bens para honrar seus compromissos”, afirma o presidente do Sistema Fiepa, José Conrado Santos.

Uma solução encontrada pelos industriais para driblar a crise, explica José Conrado, foi mudar o ramo de atuação. Caso por exemplo de algumas indústrias da área química, que passaram a fabricar álcool em gel, ou de confecção, que se voltaram para a fabricação de insumos da área de saúde, como máscaras e aventais de proteção.

A pesquisa aponta ainda que 81% das empresas entrevistadas querem fazer investimentos, passada a pior fase da pandemia, em itens como contratação de mão de obra (20%), aquisição de máquinas e equipamentos (19%) e qualificação de trabalhadores (18%). No entanto, muitas indústrias encontram dificuldade no acesso ao crédito e também consideram que os incentivos fiscais seriam uma forma de superar a crise.

Quanto aos incentivos para o setor se reerguer, José Conrado explica que a Fiepa está em constante contato com governo do Estado, coma finalidade de chegar a uma solução na qual se amplie esses benefícios para mais segmentos da indústria.

Apesar da balança comercial paraense ter encerrado o primeiro semestre com saldo positivo e da arrecadação estadual ter aumentado, Conrado explica que se deu muito em função da alta do dólar e da produção de setores como a mineração e a agroindústria. “Reconhecemos a importância desses dois setores para a nossa economia, mas para diversificá-la mais, elevando assim nossa produção e gerando renda, precisamos ampliar esses incentivos para mais setores”, pondera.

Com relação ao acesso ao crédito, o presidente da Fiepa considera que os bancos podem ser a saída para incrementar os investimentos, mas que como eles não simplificaram seus processos, o setor produtivo encontra dificuldades para acessar essas linhas de crédito.

Fonte: Fiepa

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