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Sobrevivente de naufrágio diz que acidente aconteceu porque comandante de embarcação não quis parar no porto em Óbidos

Imagem registrou embarcação em meio a agitação do Rio Amazonas, minutos antes do naufrágio — Foto: Reprodução

Uma das duas vítimas que sobreviveram ao naufrágio no Rio Amazonas, em Óbidos, no oeste do Pará, que deixou um adolescente de 13 anos morto, contou à polícia que o acidente aconteceu porque o comandante da embarcação de grande porte não quis parar no porto do município para deixar passageiro que precisou passar para uma embarcação menor em movimento.

O relato de Adriano Soares Barbosa foi dado em depoimento à polícia em 2 de agosto, horas depois do naufrágio, e consta em Boletim de Ocorrência (B.O) que o G1 teve acesso.

De acordo com a vítima, que embarcou no dia 1 de agosto em um Ferry-boat que faz linha Manaus (AM) - Santarém (PA), havia sido informado que a embarcação faria escalas em Itacoatiara, Parintins e Juruti e Óbidos.
Cristiano da Silva Santana estava em uma 'rabeta' minutos antes de desaparecer no Rio Amazonas, em Óbidos — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Entretanto, após estar acomodado e já no porto de Itacoatiara, foi informado que o Ferry-boat não faria mais escala em Óbidos porque não havia carga para desembarcar e apenas um passageiro para descer, o que seria inviável porque "teriam que pagar uma taxa no valor de R$ 240 e não recompensaria".

Ainda à polícia, Adriano disse que pensou em voltar para Manaus, mas o comandante teria negado fazer o procedimento e deu como alternativa que ele descesse para outra embarcação no meio do rio quando chegasse a Óbidos.

"O depoente [Adriano] indagou se ele [comandante] reduziria a velocidade da embarcação, o meso respondeu que sim, então o depoente aceitou", diz trecho do B.O.

Em Juruti, cidade que fica antes de Óbidos nesta rota, Adriano ligou para a mãe e pediu que o tio ir buscá-lo no meio do rio.

"Floriano [tio] foi em uma rabeta acompanhado de seu sobrinho [...] encostou ao lado do Navio, no entanto o comandante não reduziu a velocidade. O depoente conseguiu descer dentro da rabeta e nesse momento distanciaram no navio", relatou Adriano no B.O.

O tio de Adriano falou que estava entrando água na canoa motorizada. Ao ouvir o alerta, Adriano pulou na água seguido pelo tio. Cristiano ficou dentro da canoa até à canoa ir naufragar e não ser mais visto pelas pessoas. Buscas ainda foram feitas, mas a correnteza estava forte.

"Foram resgatados por um funcionário do posto de gasolina, que se não fosse isso teriam morrido [...]. Os tripulantes da embarcação foram omissos, vez que não prestaram resgate ao depoente, Floriano [tio] e Cristiano", finalizou o relato em B.O.

Corpo encontrado

Foram três dias de buscas ao corpo de Cristiano Silva Santana, de 13 anos. Equipes de Santarém compostas por bombeiros militares e inspetores navais foram até Óbidos ajudar nas operações.
Equipe que foi deslocada para Óbidos para operação de buscas ao adolescente de 13 anos que desapareceu no Rio Amazonas — Foto: Defesa Civil/Divulgação

Investigações

A Capitania Fluvial de Santarém abriu inquérito para investigar as causas que levaram ao naufrágio que provocou a morte do adolescente.

Fonte G1 Santarém 

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