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Instituições se unem em campanha de prevenção a queimadas e incêndios florestais em Santarém

Bombeiros realizando aceiro em área com queimadas em Santarém — Foto: Kamila Andrade/G1

Com o foco de prevenir incêndios florestais acidentais decorrentes da queima de áreas para o plantio de subsistência executado pelas populações tradicionais, instituições públicas e organizações da sociedade civil estão juntas na campanha “Comunidade Unida, Preserva a Vida”.

Além de dar orientações sobre como fazer a queima de forma mais segura e com autorização dos órgãos ambientais responsáveis, a campanha também orienta as medidas em caso de o fogo sair do controle e propõe práticas de roçado sem queima.

A campanha tem a participação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBIO e suas gestões na Floresta Nacional do Tapajós e Resex Tapajós-Arapiuns, a Defesa Civil do Pará em conjunto com o Corpo de Bombeiros (4º GBM), representações comunitárias como a Federação da Floresta Nacional do Tapajós, Organização da Resex – Tapajoara e organizações da sociedade civil como o Projeto Saúde e Alegria por meio de seu programa Floresta Ativa.

O primeiro momento da campanha em 2020 foi a doação de equipamentos ao 4º Grupamento de Bombeiros Militares, sendo dois sopradores Stihl BR 600, roupas completas de combate a incêndio urbano, botas, luvas, balaclavas e capacetes. A doação visou melhorar as condições de trabalho dos bombeiros militares no combate às queimadas e incêndios, bem como o fortalecimento de ações preventivas por meio de cursos para formação de brigadas.

Cartaz com orientações para prevenção de incêndios e queimas controladas — Foto: Divulgação

Nessa segunda etapa, serão distribuídos materiais impressos como folders e cartazes educativos com esclarecimentos sobre a Queima Controlada – os métodos para preparo do terreno para agricultura, horário correto para queima, posição do vento e mobilização da comunidade para ajudar controlar o fogo. Busca ainda orientar sobre o decreto federal 10.424/2020, que suspendeu a permissão para o emprego do fogo na Amazônia e Pantanal, mas permite para práticas agrícolas de subsistência, desde que informadas e autorizadas junto a um órgão ambiental responsável.

Também serão veiculados programas de rádio e podcasts pelas redes sociais e WhatsApp com vinhetas e reportagens sobre a temática, voltadas para os comunitários de regiões rurais. Materiais educacionais ilustrativos para circulação nas redes sociais também fazem parte do projeto.

“A população da Resex tem o costume tradicional de fazer suas roças. Ninguém é proibido de fazer as roças até mesmo porque o nosso povo já faz isso há milhares de anos. A gente orienta a fazer aceiro no seu roçado, não tacar fogo nas margens de igarapés e igapós”, explicou o presidente da Tapajoara, Dinael Cardoso.

Roça sem queima

Como solução mais efetiva e de longo prazo, a campanha trabalha a conscientização do princípio da roça sem queima, que se mostra uma alternativa viável para limpeza das áreas de plantação. De acordo com o engenheiro Florestal do PSA, Steve Mcqueen, existem formas de trabalhar sem usar fogo. Uma dessas formas é uma técnica chamada roça sem queima.

"A roça sem queima consiste em cortar a vegetação de determinada área, sem amontoar e tocar fogo. As partes mais grossas encostadas são deixadas no chão para se amiudar cada vez mais os galhos, ao ponto de deixar tudo bem cortadinho no chão. Nesse local é feito o plantio que o agricultor deseja. Nós incentivamos nas populações essa forma de plantar que é super vantajosa para pessoa e para o meio ambiente”, explicou Mcqueen.

O 4º Grupamento de Bombeiros Militares de Santarém está na linha de frente do combate dos incêndios na região. Segundo o subcomandante Major Piquet é importante considerar questões pontuais como a posição do vento, antes de atear o fogo para a limpeza da área. “É possível a gente prever que quando se trata de fogo no mato a pessoa inicia achando que é algo que é pontual que não vai causar dano nenhum. Contudo a mudança de vento, o ambiente favorável propicia queima de forma rápida, e o vento ajuda a pra que ela se alastre de forma violenta”, disse.

Terra onde havia milharal aguarda término do período para plantio de outra cultura — Foto: Reprodução/TV TEM

Um suporte importante no combate aos incêndios é a participação dos Brigadistas Voluntários que educam sobre a prevenção ao fogo, ajudam na atuação coletiva da comunidade em caso de focos e colaboram no chamado de órgãos responsáveis. São moradores que se disponibilizaram a ajudar a comunidade a se organizar para realizar suas queimas mas também possível evento de combate a incêndio, são pessoas preparadas para atuar nesse combate.

"O brigadista voluntário da Resex tem o papel de organizar a comunidade para ajudar combater. Ele não tem a responsabilidade legal e moral de realizar sozinho, mas tem o conhecimento técnico de como organizar. Ele é uma pessoa central na comunidade que no caso de ocorrência de incêndio deve ser procurado para ajudar a comunidade a combater”, explicou Jaqueline Nobrega, do ICMbio.

Queimadas na Amazônia

Satélites da Nasa mostram que maioria das queimadas na Amazônia tem origem no desmatamento — Foto: JN

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE revelaram que os incêndios na Amazônia aumentaram 28% em julho em comparação ao ano passado. Foram identificados 6.803 incêndios na região em julho de 2020, em comparação com 5.318 no ano anterior. As imagens de satélite apontaram que a maior floresta tropical do mundo pode ter novamente grande áreas devastadas por incêndios este ano, o que costuma ocorrer entre junho e outubro.

Além das queimadas ilegais para abertura de grandes áreas para pastagens, agricultura extensiva, mineração e grilagem de terras públicas, existem também os incêndios acidentais e, na zona rural, especialmente os advindos de práticas agrícolas que envolvem corte e queima para preparo da terra.

Como norte para as ações está a proposta do Plano Territorial de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais, articulado em outubro de 2019, em que se planejou capacitação para novos brigadistas, oficinas de prevenção a incêndios florestais e apoio para aquisição de equipamentos para os combates.

Fonte G1 Santarém 

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