Header Ads




Pandemia: mesmo com flexibilização de eventos culturais, setor da Cultura enfrenta crise severa com a proibição de programações

Diante do cenário de precarização de oportunidades, artistas e produtores falam sobre a polêmica retomada de shows no Pará
Crédito: Portal Roma News

Os impactos da pandemia do novo coronavírus são imensuráveis em vários setores. Quando se trata do setor cultural esse dano pode ser maior ainda. A área foi a primeira a paralisar as atividades e, mesmo com a flexibilização e retomada gradual, deve ser a última a normalizar.

Por conta das medidas de segurança para evitar a disseminação do novo coronavírus inúmeros shows foram suspensos. São muitos os profissionais deste setor que foram atingidos e estão sem previsão para voltar para o trabalho.

Neste final de semana, uma polêmica surgiu nas redes sociais, após a cantora Viviane Batidão ser atacada por realizar um show acompanhada de integrantes de sua banda. Ela e defendeu que a classe artística está sendo penalizada pelas medidas de contenção da pandemia.

"Vocês acham que um artista subindo no palco vai fazer alguma diferença agora? No meu caso que foi meu primeiro pocket show, com venda de mesas. As aglomerações estão aí em todo lugar, com a gente ou sem a gente. Só não ver quem tá olhando somente pro seu próprio umbigo”, disse Viviane.

O funcionamento de bares, restaurantes e casas de shows estão proibidos, em todo o Estado, desde o dia 21 de março, a partir da publicação do decreto estadual n° 95.955, de 18 de março. A decisão autorizava apenas o funcionamento de supermercados, farmácias e serviços considerados essenciais.

Com a estabilização de casos e óbitos, outro decreto foi publicado, no dia 22 de agosto, permitindo a reabertura inúmeras atividades econômicas na capital. Entre as atividades liberadas estão inclusas atividades esportivas e aquáticas, parques, arenas e clubes em horários específicos, incluindo cinemas, teatros e museus retomam as atividades dentro dos protocolos estabelecidos.

Porém, em Belém, casas de shows, boates e festas de aparelhagem ainda não foram liberadas por decreto municipal, e quem perde é o mercado de eventos e shows que representam uma parcela significativa do PIB nacional, que gera toda uma cadeia de emprego e renda para trabalhadores informais ou de carteira assinada que atuam no setor, e que nesse momento, estão sendo impactados pela crise da covid-19.

Efeitos da pandemia no setor cultural

Os profissionais que vivem de Cultura viram casas de shows se fecharem. Durante a pandemia, muitos se juntaram para realizar campanhas e arrecadar doações para que artistas e suas equipes técnicas pudessem atravessar a crise. Cesta básicas foram doadas e, mesmo seis meses depois, a precarização de oportunidades ainda não está perto do fim.

Dois contextos devem ser considerados para a realização de eventos culturais: a região metropolitana e o interior. A realização de festividades religiosas, como a Marajuda, em Bragança, foi suspensa, pois o município não detém de uma rede hospitalar que possa acolher e amparar pacientes que precisem tratar a doença.

“A cultura popular fez o seu papel em preservar seus mestres e a população local. Eventos tradicionais que geram uma renda anual para as comunidades, grupos e fazedores de cultura. As pessoas tiveram bom senso e eles [os eventos] foram suspensos. No interior acredito que não há escolha, pois não há estrutura”, diz a ativista e produtora cultura, Cris Salgado.

Já na Grande Belém, apesar de ter estrutura, a realização de eventos culturais e shows devem ser pensados. “Fomos jogados à própria sorte pelo governo, pois foram autorizados que crianças retomem às escolas, que supermercado estejam lotados, que praias e balneários sejam frequentados. Não há cuidado com a população. Vejo com tristeza tudo o que está acontecendo”, comenta.

“No pós-pandemia, nosso trabalho será afetado com a precarização e será um caminho sem volta para a produção cultural, tanto no Pará, quanto no Brasil”, destaca a produtora.

DJ e produtor cultural, Zek Picoteiro, tem sua renda principal atrela a ventos culturais. Com a pandemia, ele viu ela ser abalada. Mesmo diante deste cenário de crise, ele se adaptou à nova realidade e passou a realizar discotecagens virtuais.

“Não vou julgar qualquer artista que precisa ao trabalho presencial, eu sou um DJ e produtor cultural que dependia dessa renda e agora me encontro num momento bem crítico. Mas eu tenho plena consciência que os espaços em Belém ainda não estão preparados para realizar eventos seguindo a todos os protocolos. Sigo realizando formatos virtuais ou eventos privados pequenos, até que a vacina chegue.

Protocolo sanitário para retomada de eventos

A fim de contribuir para a retomada de forma segura, para quem consome e para quem trabalha com entretenimento, a Roma Eventos elaborou, junto com empresas especializadas no segmento, um protocolo que sugere recomendações para uma retomada responsável das atividades culturais no Pará.

Em agosto, a Roma Eventos e empresas de entretenimento formularam protocolo para retomada do setor de eventos no Pará. Mais de 40 medidas compõem o documento e visam a segurança de clientes, profissionais e prestadores de serviços especializados no setor

Alinhado com as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS), governos federal, estadual e municipal, o projeto foi feito embasado em critérios e dados epidemiológicos, a partir do monitoramento da pandemia. Além disso, a partir do momento que a realização de eventos for liberada, a cadeia produtiva se compromete a aplicar todos os componentes do protocolo sugerido junto aos seus funcionários, prestadores de serviços e clientes.

"O protocolo foi elaborado para colaborar com o poder público para contribuir com medidas sanitárias que vão contribuir para a proteção da população paraense", explica o diretor da Roma Eventos, Giovanni Maiorana.

Entre as estratégias, o documento sugere a entrada de pessoas com duas horas de antecedência; marcação de lugares para garantir o distanciamento de 1,5 metro; aferição de temperatura e aplicação de álcool 70% e disponibilização nas dependências do avento para acesso facilitado do público. Há ainda a recomendação para uso obrigatório de máscaras de proteção individual.

Para manter a higiene de ambientes, o documento propõe a sanitização dos espaços de eventos; realização constante de equipamentos, mesas, cadeiras que estiverem no local, entre outros.

Todas as medidas sugeridas devem ser publicizadas através de campanhas de conscientização dos frequentadores dos espaços.

"Mais de 40 medidas compõe o documento. Entre elas estão a redução de capacidade de clientes em 50%, protocolos de higiene e a proibição, neste primeiro momento, de pessoas do grupo de risco nos eventos", destaca o diretor.

Fonte Roma News 

Nenhum comentário