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Estudos revelam que Covid-19 pode desenvolver mal de Parkinson e diabetes

Crédito: NIAID

Sete meses de pandemia da covid-19 no mundo, as dúvidas sobre a doença continuam, exceto por uma certeza incontestável: para o Sars-CoV-2, não existem fronteiras no corpo humano. 

Se antes acreditava-se que o micro-organismo era responsável por uma síndrome respiratória, logo ficou claro que os efeitos do novo coronavírus não paravam nos pulmões. Durante ou depois da fase aguda da infecção, outros órgãos podem ser afetados, não somente pela hiperinflamação causada pela resposta exagerada do sistema imunológico, mas pela ação direta de um patógeno sobre o qual pouco se sabe.

Para o vírus, se espalhar por vários tipos de células é uma vantagem evolutiva, segundo o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Virologia e pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Flávio Guimarães da Fonseca. Desde os primeiros estudos sobre o Sars-CoV-2, o micro-organismo já foi encontrado, além do sistema respiratório, em tecidos do coração, rins, fígado, intestino, estômago e cérebro. Embora não se tenha relatos de ter sido encontrado no pâncreas, foram observados casos de pancreatite aguda em alguns pacientes, levantando a suspeita de que o vírus possa desencadear diabetes, doença intimamente associada a esse órgão.

Receptor espalhado

A infecção pelo Sars-CoV-2 pode ser explicada pela enzima conversora da angiotensina 2 (ACE2), receptor presente por todo o organismo. Como um mecanismo de chave e fechadura, a proteína spike do coronavírus se liga ao ACE2 para conseguir entrar nas células. O que facilita infectar diversos tecidos e órgãos.

Em agosto, um estudo feito por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) publicado na revista The Lancet revelou a presença no Sars-CoV-2 no tecido cardíaco. O artigo faz referência ao caso de uma criança de 11 anos com síndrome inflamatória multissistêmica relacionada à covid-19. Ela desenvolveu insuficiência cardíaca e morreu no dia seguinte à internação. Com a autópsia foi detectada a presença do vírus nos pulmões e no coração da vítima.

Além disso, segundo o estudo, a autópsia também mostrou miocardite, pericardite e endocardite, com inflamação intensa e necrose de fibras musculares. Segundo os pesquisadores, a infecção das células que revestem o endocárdio pode fazer com que o vírus se dissemine para outros órgãos, através da corrente sanguínea. Ainda não se sabe se os danos cardíacos.

Doenças neurológicas


Logo que a pandemia começou, surgiram relatos de pacientes que perderam o olfato e o paladar, caracterizando que o vírus causa impacta no Sistema Nervoso Central - SNC. Porém, as manifestações não ficaram por aí. "Síndrome de Guillain-Barré, encefalomielite, neuropatias periféricas isoladas, AVC, alterações funcionais e cognitivas", enumera Augusto César Penalva de Oliveira, pesquisador do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, de São Paulo. O médico está à frente de um estudo que pretende avaliar os efeitos do Sars-CoV-2 no cérebro e no SNC. Atualmente, há 47 pacientes na pesquisa, mas a ideia é chegar a 100. Dos voluntários, dois desenvolveram parkinsonismo (sintomas da doença de Parkinson).

O pesquisador conta que todos os sete coronavírus humanos são capazes de contaminar o SNC, mesmo que a maioria não cause danos. Nas epidemias de Sars-CoV (2002/2003) e Mers (2012), os primos mais próximos do Sars-CoV-2, porém, foram detectadas doenças neurológicas. A interrupção das pesquisas pós-surtos impede saber se os efeitos passaram ou se mantiveram a longo prazo. No animal, o vírus causa encefalomielite, inflamação do cérebro e da medula espinal. A condição se mantém até o rato ser sacrificado, um ano depois da infecção.

Sem padrão

Segundo o médico especialista, o SNC pode ser afetado por mecanismos diversos. Tanto pela infecção direta do vírus, que invade o cérebro pelo trajeto do nervo do bulbo olfatório, quanto pela corrente sanguínea. Uma vez instalado, o micro-organismo pode provocar diretamente os danos, mas há outros meios — alguns desconhecidos — pelos quais a covid-19 afeta o cérebro, como a resposta imunológica exagerada (a tempestade de citocinas) e trombos causados por coágulos.

Uma preocupação do infectologista do Emílio Ribas é que não há um padrão claro da infecção no SNC. "As alterações são muito plurais. Tem paciente que vai apresentar fenômenos inflamatórios clássicos, outros, não. Alguns têm alteração na ressonância, no líquor; em outros, a ressonância é normal, o líquor é normal, mas eles têm os sintomas. O mecanismo pelo qual o vírus agride o sistema nervoso central não é claro. Possivelmente, são alterações microestruturais. Então, para estudá-las, temos de içar o anzol um pouco mais profundamente", observa.

Fonte: Correio Braziliense

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