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Em Manaus, bares e choperias sofrem queda de 100% no faturamento

Com o segmento fechado há dez meses, proprietários se reinventam com serviço de delivery no ramo alimentício
Arquivo EM TEMPO

Manaus - Com a proliferação no número de casos da Covid-19 em Manaus, bares e restaurantes foram fechados como medida de contenção. No entanto, o setor de bares teve uma queda de 100% no faturamento com os dez meses de portas fechadas, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) na capital amazonense. Proprietários de bares e choperias estão tentando se reinventar investindo no serviço de delivery no ramo alimentício.

Quem costumava curtir o ‘happy hour’ depois do trabalho ou encontrar os amigos no fim de semana em bares da cidade, teve de parar de frequentar os locais, por conta dos decretos de fechamento no estado. O empresário Victor Hugo Magalhães foi um dos que parou de ir a sua choperia favorita no Parque Dez, Zona Centro-Sul de Manaus. “Antes da pandemia, me encontrava com meus amigos em um bar no Parque Dez para beber, agora infelizmente está fechado", conta.

O proprietário do bar que Magalhães frequentava antes da pandemia, Raphael Malizia, está no ramo há quatro anos. Há uma semana, ele passou a oferecer serviço de entrega pelas plataformas disponíveis na capital, contudo, explica que existem diversos obstáculos para mudar de ramo.

“A maior dificuldade é que a nossa estrutura não é feita para delivery, então o nosso cliente não é acostumado a pedir de nós, e sim de outros. Fomos drasticamente afetados pela pandemia, perdendo mais de 95% do movimento. Para delivery, não precisa de uma grande estrutura como temos, só uma sala pequena para atender os clientes nos aplicativos e organizar as entregas, e uma cozinha projetada para esse tipo de serviço”, esclarece o empresário.
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O bar de Malizia tem capacidade para atender até mil clientes de uma só vez. No fim de semana, antes da pandemia da Covid-19, o negócio contava com 23 funcionários. Na segurança, ele contava com seis trabalhadores, além de cinco garçons, alguns cozinheiros e uma equipe de diaristas para serviços gerais. Antes da segunda onda em Manaus, nos dias de sexta e sábado, o bar recebia de 250 a 300 pessoas, respeitando o distanciamento social e as regras sanitárias.

“Temos uma estrutura grande, com vários metros e com mesas para muita gente. O escritório é grande para fazer reunião com a equipe toda, temos vários banheiros para atender o público, ou seja, a estrutura é gigantesca. Não chegamos a demitir funcionários porque 70% deles não são fixo, mas muitas dessas pessoas que trabalhavam uma ou duas vezes por semana comigo, estão passando necessidade e a gente acaba tentando ajudar, mas é complicado porque não tem dinheiro entrando”, desabafa.

O proprietário afirma que teve queda de 100% no faturamento e que está se arriscando em outro negócio, fazendo adaptações no cardápio para atender por meio das entregas. Saindo da linha dos petiscos, Malizia passou a incrementar pratos com farofas diferenciadas, como as de camarão e charque, disponíveis para o delivery.
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Segundo Malizia, alguns colegas do ramo buscaram usar o nome de seus bares ou de suas choperias para cadastrar nas plataformas de entrega, porém ele e alguns colegas escolheram colocar outro nome, com o intuito de atrair clientes novos, diferentes do local já conhecido. Nesse sentido, as bebidas acabam não sendo as mais pedidas, já que os clientes podem comprar nos supermercados.

Fornecedores

Como o segmento parado, automaticamente os fornecedores também são atingidos. O proprietário de uma fábrica de cerveja artesanal em Manaus, Hebert Pires, revela que a produção está parada desde o final de dezembro. Como a fabricação não envolve cervejas engarrafadas, os principais clientes são bares e restaurantes.

“O impacto é ainda pior, pois, como a cerveja é um produto perecível, ainda temos que manter todo o sistema de conservação de produtos e matéria-prima em plena utilização, ou seja, não conseguimos diminuir as despesas. Sem contar que produtos alimentícios tem prazo de validade e corremos o risco de perda de diversos produtos e matéria-prima”, salienta Pires.

Com produção desde 2017, a fábrica, localizada na Cachoeirinha, Zona Sul de Manaus, teve queda de 100% no faturamento por conta da pandemia. A expectativa de Pires é retornar com o delivery a partir desta semana para estimular de 10 a 15% do faturamento médio mensal em tempos normais, caso seja liberado.

Ao tentar segurar os prejuízos, Pires expõe que ainda não chegou a demitir nenhum funcionário, mas que precisará tomar essa atitude, caso o decreto permaneça por mais algumas semanas. “Estamos fazendo de tudo para que isto não ocorra, até porque somos um negócio pequeno e o nosso efetivo também é. Qualquer colaborador fará muita falta”, enfatiza.

Para amenizar os efeitos negativos, o dono da fábrica de cerveja criou uma plataforma de delivery para desenvolver em uma rede social. A empresa liberou alguns funcionários para tirar suas férias e deu licença para outros, tanto para os que tinham horas a mais, quanto para os que não possuíam.

Além da fábrica, Pires havia inaugurado um bar no início de 2020, dois meses antes da pandemia, chegando a atender 400 pessoas em um fim de semana, porém, a média por dia girava em torno de 50 a 70 clientes. Ao aprimorar o conceito das cervejarias americanas de fazer parceria com food trucks, cada atendimento contava com o diferencial de trazer uma especialidade gastronômica diferente. Nesse formato, o bar entrava com as bebidas artesanais e o parceiro com o cardápio.

Apesar da ideia inovadora em Manaus, Pires lamenta que não teve tempo de testar esse modelo de atendimento, já que estão fechados dede março de 2020. “O espaço que temos é pequeno e se tivermos que adaptar as medidas exigidas de distanciamento e segurança, nos limita muito a quantidade de consumidores, o que não viabiliza reabrir as portas. Temos o planejamento, que estava sendo colocado em prática antes desta nova onda, para ampliação do espaço para reabetura, mas agora paralisamos tudo, pois não sabemos o que irá acontecer", admite.

Abrasel

De acordo com o presidente da Abrasel na capital amazonense, Fábio Ghiotto, não está sendo fácil criar alternativas para o setor, pois o mesmo vem sofrendo há muitos meses e não consegue se recuperar. “O setor de bares foi o mais duramente impactado pela pandemia, porque foi o primeiro a ser fechado em março do ano passado e o último a voltar. Porém, quando retornou, logo houve um novo fechamento. Já estão amargando há dez meses fechados e não há estratégia para driblar isso dentro do segmento”, frisa.
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Para Ghiotto, a única estratégia é adotar a cozinha de restaurante para delivery, porém, é preciso preparação para operar nesse novo formato, com todas as novidades para quem só está acostumado a buscar esses serviços presencialmente. “Não é só colocar o cardápio no Ifood que vai vender, é preciso ter um nome já formado nesta ou em outra plataforma e entender como funciona esse modelo”, enfatiza.

O presidente da Abrasel acredita que as pessoas estão bebendo até mais por conta da ansiedade e da falta de opção por não poderem sair. A opção, segundo ele, é beber dentro de casa, uma vez que os supermercados estão abertos e continuam vendendo bebidas alcóolicas.

Ghiotto também avalia que a rápida reabertura não foi suficiente para a recuperação do setor. “Quando um bar se fecha, o proprietário perde o estoque - por ser perecível - e quando reabre, tem que ter um capital de giro. Ou seja, foi preciso que esses empresários fizessem empréstimos, que não foram sanados no ano passado e, em 2021, não serão tão cedo”, finaliza.

Em Tempo Manaus 

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