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MPF pede reforço na segurança da região de Jacareacanga após ataques de garimpeiros

Segundo a entidade, a casa da líder Munduruku Maria Leusa Kaba foi incendiada em ataque na aldeia Fazenda Tapajós e criminosos ameaçam atacar outras aldeias.
Crédito: Divulgação/Ibama

O MPF pediu o reforço na segurança pública na região de Jacareacanga, cidade localizada a 1.706 km de distância de Belém, além de proteção para lideranças ameaçadas por garimpeiros.

Segundo a entidade, a casa da líder Munduruku Maria Leusa Kaba foi incendiada em ataque na aldeia Fazenda Tapajós e criminosos ameaçam atacar outras aldeias. O objetivo seria intimidar lideranças que são contrárias ao garimpo nas terras indígenas.

A região vive uma série de conflitos desde o início da semana, quando foi deflagrada uma operação da Polícia Federal e do Ibama contra o avanço do garimpo ilegal .

Um jornal teve acesso a conversas trocadas entre garimpeiros e o vice-prefeito de Jacareacanga, Valmar Kaba (Republicanos). Nas mensagens, eles combinam ações para fechar supermercados e todo o comércio da cidade, ontem, além de se encaminharem até o aeroporto da cidade, em protocolo contra as ações.

"Agora é que é o momento. É combinar tudo. Esses restaurantes, comerciantes? Fechar tudo. Eles não vão aguentar sem comer. A articulação é essa daí, comerciante, mototáxi, barqueiro. Agora é que é a hora do movimento, entendeu", diz Valmar Kaba.

Em uma resposta enviada ao vice-prefeito, outra pessoa diz: "Eu topo isso, Valmar. Se o pessoal concordar, chegou a hora de nós fazermos o movimento agora. Cadê os guerreiros, que vão para o movimento? Cadê os chefes dos guerreiros, também? Tem que se unir. Comigo não tem frescura, não, Valmar. Eu não tenho medo, eu topo mesmo. Chegou a hora de nós fazermos isso. Nós temos que fechar os comércios todos. Temos que nós unir para ir pra lar pro aeroporto ".

Uma reportagem tentou contato com o vice-prefeito, mas não obteve resposta.

A Abip (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) e a Coiab (Coordenações das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira) divulgaram nota de alerta e risco de vida aos 14 mil indígenas que vivem na região.

"Mais uma vez, as vidas indígenas estão ameaçadas pelo garimpo e por garimpeiros na Amazônia. A rotina de terror se repete também na TI Yanomami, em Roraima, sob ataque intenso desde o início do mês. durante a sessão da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal. "

Pelas redes sociais, o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), que acrescentou pessoal para "mediar" a crise.

"Preocupado com o clima de tensão, provocado por uma operação dos órgãos do governo federal em Jacareacanga, pedi para o Comandante Regional da Polícia Militar se dirigir ao local. Com reforço de tropas estaduais, para fazer a mediação com os órgãos federais para uma negociação pacífica e preservar a população. "

Com informações do UOL

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