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Com colapso na saúde, Amazonas gasta R$ 1 milhão por mês com manutenção de estádio de futebol

Crédito: Foto: Michael Dantas/AFP

Em meio ao cenário caótico que Manaus enfrenta com o avanço nos números de casos da covid-19, o estádio arena da Amazonia se destaca como uma estrutura inutilizável e a poucos metros de duas unidades hospitalares da Capital amazonense.

A monumental arena foi construída para a copa do mundo de 2014 e sediada. Cerca de R$ 669 milhões foram pagos pelo governo do Amazonas e com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e social, BNDES. Os altos custos da obra para a copa do mundo acarretou em vários protestos em todo o país em 2013 e 2014. Na época o ex-atacante da seleção brasileira, Ronaldo Fenômeno, defendeu os gastos milionários e disse que “não se faz copa com hospitais”.

Hoje o cenário é outro, o estádio está fechado e os jogos foram transferidos para outros estados devido as restrições principalmente pela falta de leitos para atender atletas. Um decreto estadual proíbe a realização de ventos no Amazonas desde o dia, 4, de janeiro.

Segundo a Fundação Amazonas de Alto Rendimento, órgão estadual que administra os espaços esportivos do estado, os gastos com a manutenção do estádio são de cerca de R$ 1 milhão por mês.

O principal estádio manauara luta contra a fama de "elefante branco". Antes do fechamento, recebia jogos do campeonato amazonense, de competições nacionais e de um campeonato local de futebol amador, além de partidas de outros esportes como rúgbi e futebol americano.

O uso mais frequente da Arena, no entanto, está no seu espaço multifuncional, que recebe eventos como feiras, exposições, bazares, festas, shows e até mesmo blocos de Carnaval.

A arena amazonas possui uma área de 84 mil metros quadrados e tem capacidade para 44,8 mil pessoas, seu recorde de público em agosto de 2019, quando o Manaus FC enfrentou o Brusque na final da série D do Campeonato Brasileiro e levou 44.896 pagantes ao estádio.

Procurada, a Fundação Amazonas de Alto Rendimento não deu detalhes sobre o faturamento da Arena da Amazônia.

No início do ano passado com a pandemia, o deputado federal José Ricardo (PT-AM) defendeu a instalação de um hospital de campanha na Arena da Amazônia. No fim de dezembro, com a segunda onda da pandemia, voltou a pedir a implantação da estrutura médica, o que ele classificou como uma medida urgente.

Ele avalia que a implantação do hospital no espaço iria desafogar o sistema de saúde e destacou a localização central do estádio, em uma das principais avenidas de Manaus, o que, segundo ele, facilitaria o acesso.

"Tem muito espaço nas áreas laterais, espaços que são utilizados para eventos, num local amplo e adequado para a implantação de um hospital de campanha", destacou o deputado.

A medida foi adotada em outras capitais, onde estádios foram adaptados para atender a demanda pela ampliação de leitos durante a pandemia. Em São Paulo, o estádio do Pacaembu o mesmo aconteceu em estádios como a Arena Fonte Nova, em Salvador, o Presidente Vargas, em Fortaleza, o Mané Garrincha, em Brasília, e o Canarinho, em Boa Vista.

Em dezembro do ano passado, o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), anunciou a reativação do hospital de campanha estadual, erguido em um hospital universitário desativado. Na ocasião, ele disse "a maior ampliação da capacidade da saúde pública na história do estado".

O esforço, não foi suficiente para evitar o colapso no sistema de saúde. Com a alta nas internações por Covid-19, no dia 14 de janeiro a capital entrou em crise com a falta de leitos e de oxigênio na rede pública e privada.

A taxa de ocupação dos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) é de 94,3% e médicos relataram à reportagem que precisam escolher quais pacientes receberão atendimento.

Em nota, o governo afirmou que o plano estadual de contingência da Covid-19 já prevê a implantação de estruturas de retaguarda no sistema de saúde e que a unidade está sendo montada, sem detalhar como e quando o hospital começará a receber pacientes.

A gestão estadual também não falou sobre as possibilidades de uso para a Arena da Amazônia, que, sem jogos e sem hospital de campanha, segue fechada.

Com informações do Portal Folha de Pernambuco/ Roma News 

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